
Com a novela Caminho das Índias, as danças do Oriente como a dança do ventre e a indiana voltam a ficar em destaque, relembrando o fascínio, além da fantasia sobre o poder sedutor desta arte milenar
Cristiane Cunda – cris@novohamburgo.org
Chegada ao Brasil há pouco mais de três décadas, a dança do ventre exerce grande fascínio nas bailarinas e encantamento dos espectadores. O ritmo marcante das músicas e apresentações envolventes e animadas que trazem mulheres ornamentadas com peças suntuosas e brilhantes fez com que a dança árabe caísse no gosto dos brasileiros, bem como ocorre em boa parte do mundo. Novo Hamburgo também abraçou o ritmo e conta com grande time de bailarinas.
O tradicional Domus Estúdio de Dança há mais de dez anos oferece aulas de dança do ventre, tendo também, um grupo profissional que dança pela escola. A professora Caroline Harff, 24 anos, fez sua primeira aula no Domus há quase 11 anos, ministra aulas do ritmo há cerca de dez anos e destaca os inúmeros benefícios da prática.
“Fico encantada ao perceber as rápidas mudanças nas atitudes das alunas que começam a praticar a dança do ventre, elas vão se tornando mais seguras de si, passando a dançar primeiro para sua realização e depois, como conseqüência, encantam a quem assiste. O principal benefício para a mente é sem dúvida, a melhora da auto-estima. Outro aspecto importante é o tempo dedicado à prática, sendo um momento único e que permite a bailarina um encontro consigo mesma, traz auto-conhecimento. A dança também desenvolve a agilidade mental, a percepção musical, musicalidade, ritmo, estimula atenção e a concentração”, diz Caroline.
Mas a saúde e a forma física também são grandes beneficiados pelo exercício. A dança favorece a circulação, e alguns médicos afirmam que o aumento da movimentação da região do baixo ventre ameniza sintomas de TPM e cólicas menstruais. A seqüência da dança enrijece e tonifica vários grupos musculares, trabalha a coordenação motora, equilíbrio, postura e flexibilidade.
“Diferentemente do que costumam afirmar, a dança do ventre não cria barriga. Esta idéia vem da cultura árabe, onde a preferência nacional são as mulheres mais encorpadas. O que posso afirmar por todo este tempo na dança, é que a prática acentua a cintura, em função dos movimentos de dissociação desta. Em algumas alunas, que praticam pelo menos três vezes por semana, pude observar o fortalecimento do abdômen de forma muito aparente. Além da estética, o fortalecimento deste ainda diminuiu dores na região lombar e melhora da postura”, destaca a professora de dança.

Alunas de dança do ventre no Domus Estúdio de Dança
Dança da moda
Programas, artistas e novelas influenciam algumas tendências de comportamento, moda, músicas e com a dança não é diferente. As academias e estúdios de dança já esperam que a nova novela das oito, “Caminho das Índias”, Rede Globo, incentive a busca pelas danças orientais, indiana e a dança do ventre, como já ocorreu em outras ocasiões.
“Acompanhei o fenômeno “O Clone”. As escolas de dança do ventre lotaram neste período, turmas de 10 alunas chegaram a ter 50. Mas a dança do ventre requer dedicação, não se sai dançando em duas ou três aulas, por isso, quem buscava só por modismo acabava desistindo. Novamente teremos um “bum” na dança do ventre, porque por se tratar também de uma dança oriental, apresenta semelhanças com a dança indiana. Mas com certeza turmas de dança indiana serão abertas. O Domus já tem turma prevista para março”, adianta Caroline.
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Aluna do Domus, Mônica Santos, foi campeã na coreografia Benazir no Dançando 2007; com a coreografia “Fusion” em 2008; com a Benazir no POA em Dança/2008 e destaque coreográfico na categoria “Folclore de Imigração”.
