Ernesto Frederico Scheffel conta sua trajetória em autobiografia que deve ser lançada em 2010. Aprovado no Ministério da Cultura, projeto está em fase de captação de recursos.
Felipe de Oliveira – felipe@novohamburgo.org
Basta uma breve conversa com Ernesto Frederico Scheffel para aprender sobre história, filosofia e arte. Pois aos 81 anos, um dos maiores artistas contemporâneos decide dividir sua experiência com a sociedade. Trabalha na elaboração de uma autobiografia em que aborda desde a infância no Vale do Sinos à consagração de sua obra na Europa. Scheffel por ele mesmo é resultado de um trabalho minucioso de narração, descrição e contextualização da trajetória vivida nas idas e vindas entre a região da Toscana, na Itália, que diz ser “sua casa”, e Novo Hamburgo, onde tudo começou no longínquo 1935. “Um ano mágico”, segundo ele mesmo.
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“Quando se imagina um museu, a primeira coisa a ser feita é um catálogo das obras”. A enfática afirmação do artista justifica a autobiografia. A Fundação Ernesto Frederico Scheffel abriga seus mais de 400 trabalhos no bairro Hamburgo Velho e ainda não dispõe de uma obra literária referencial. Inaugurado em 1978, o museu que ocupou um tradicional casarão hamburguense marca a carreira de Scheffel. Até então, suas obras eram vistas em diferentes lugares. Além de servir como uma espécie de catálogo elaborado pelo próprio autor, imprimindo sentimento à apresentação de cada trabalho, o livro promete surpreender. Scheffel revela segredos e remonta a uma época rica em nostalgia.
Detalhes como a salvação da Casa Schmitt-Presser, ao lado da Fundação Scheffel, devem estar presentes. O local que hoje cultiva as origens germânicas por pouco não foi destruído na década de 80. Quando o casarão foi destinado à fundação, também a Schmitt-Presser fora oferecida. Como não achou coerente ocupar os dois espaços, Scheffel preferiu não aceitá-la. Anos mais tarde soube da possível destruição e decidiu evitar. “No dia em que fui conversar com o proprietário, a implosão já estava autorizada pela Prefeitura”, lembra Scheffel. “Durante a conversa, ele pediu licença para fazer uma ligação. Ouvi quando disse a alguém: cancela!”
O projeto
Curador da Fundação Scheffel, Angelo Reinheimer acompanha o artista desde 1984. Ele diz que a autobiografia é um sonho antigo. “Scheffel sempre fez apontamentos sobre sua vida. E o interessante é que faz contextualizações com os períodos. Na arte, na história…”. Destaca ainda o fato de ser uma biografia escrita pelo próprio artista, raro nesse meio. Scheffel está em Novo Hamburgo transformando os manuscritos da terceira para a primeira pessoa desde outubro de 2008. “Quando olho para isso, nem parece que fui eu que escrevi”, brinca. São mais de 70 anos de história em centenas de páginas. A edição será feita pela historiadora Angela Sperb, que também acompanha sua vida e obra e inclusive já produziu textos biográficos a respeito.
Reinheimer acredita que o livro será um “divisor de águas” para o museu. “Um trabalho de máxima qualidade para a divulgação às próximas gerações”, garante. Terá 350 páginas em cores. A previsão de lançamento é para o ano que vem. Ainda em 2009, Scheffel vai à Itália coletar as últimas informações. O projeto técnico foi elaborado pela produtora Um Cultural e aprovado no Ministério da Cultura. Atualmente, está em fase de captação de recursos. Os patrocinadores poderão abater o investimento do imposto de renda através da Lei Rouanet (incentivo à cultura). Detalhes pelo e-mail contato@umcultural.com.br ou no telefone (51) 84071446.
