“Soubemos identificar muito bem quais temas eram relevantes para o povo. O desempenho da administração atual era insatisfatório”. A avaliação de Tarcísio sobre a vitória impõe desafios. Ao tratar de medidas objetivas de mudança na gestão do município o petista é cauteloso, “prefiro não adiantá-las agora”. Sobre outros temas delicados como a relação com o PDT, cargos de confiança e formação do secretariado, ele também evita opiniões definitivas. Contudo, antecipa algumas tendências.
Secretariado
Nomes como Ricardo Michaelsen, que deixou o PP para apoiar Tarcísio, Ruy Noronha, que renunciou candidatura a prefeito, e Carlos Finck, ambos do PTB, dos pedetistas Lino de Negri e Marialdo Schirmer, Fábio Wasem, do PCdoB, e quadros do PT como Gilnei Andrade, Beto Carabajal e Florizeu Campos são especulados. Tarcísio garante que não há definições. “Pedi aos partidos apenas que indiquem seus melhores nomes. A interlocução sobre o governo será comigo.”
Relação com o PDT
PT e PDT sempre foram adversários em Novo Hamburgo. Gera expectativa a relação entre os dois partidos no governo. O prefeito eleito é enfático ao afirmar que “quem criar crise está fora”. Ao mesmo tempo, ele defende que a aliança eleitoral ocorreu com a ala do trabalhismo autêntico. Segundo Tarcísio, o PT tem uma matriz histórica semelhante. “O setor trabalhista oportunista do PDT não estará no governo. Não vejo problemas em administrar essa aliança.”
Lorena Mayer
Quando fala da vice-prefeita eleita e seu projeto político, Tarcísio prefere não garantir sua permanência até o final do governo. O que se ouve nos bastidores é que Lorena Mayer pretende ser candidata a deputada em 2010. “A Lorena é muito jovem na política. Eu disse pra ela: tu vai ter que estudar, tu vai ter que ter disposição de apreender e ela tem disposição para isso”, afirma o petista, destacando o trabalho e a dedicação de sua vice.
Governo Lula
Nos próximos dias uma comissão formada pelos presidentes de partidos da aliança que elegeu Tarcísio vai à Brasília para disputar emendas parlamentares. “Eu sempre disse que prefeito bem sucedido é aquele que se articula bem com os deputados”. Ele conta que já conversou com a Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, sobre o resultado das eleições e completa adiantando que criará um gabinete de projetos para disputar todos os recursos federais disponíveis.
Saúde
O tema da saúde desponta como prioritário para Tarcísio. Ele garante que o Programa de Saúde da Família será uma ação imediata e que os Postos de Saúde 24 horas em Canudos e Santo Afonso sairão do papel tão logo os profissionais sejam contratados. Sobre os recursos para executar as propostas que ajudaram a elegê-lo, afirma que parte virá do orçamento municipal, com a redução de custos em outras áreas, mas buscará também ajuda externa.
Cargos de Confiança
Sobre cargos de confiança o futuro prefeito não promete a diminuição definitiva das despesas. Antecipa, apenas, que haverá o contingenciamento de 50% das vagas sem concurso público. Inicialmente, elas não serão ocupadas. O corte ou não, conforme Tarcísio, depende de avaliação posterior feita por ele e pelo conselho político do governo.
Dívida pública
A dívida pública causou polêmica durante a eleição. Discussões à parte, Tarcísio pretende enfrentar o problema qualificando a receita e barateando o custeio da máquina pública. Ele acredita que é possível executar o Orçamento Participativo, por exemplo, já em 2009, mesmo assumindo a Prefeitura com os recursos para cada área definidos e com uma dívida a pagar.
Empréstimo com o BID
Tarcísio realmente não parece estar disposto a contrair novas dívidas. Ao comentar as fontes de recursos para o cumprimento de propostas de campanha, vê com receio o empréstimo de R$ 43 milhões contratado pelo Governo Jair junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID. Os juros e a crise econômica mundial são as principais preocupações. “Eu quero debater melhor esse empréstimo. A comunidade precisa saber que se fizer o BID, não vai fazer aquilo…”
Emprego e Geração de Renda
Tarcísio pretende liderar pessoalmente os esforços para o desenvolvimento econômico. “Vamos constituir um clima de confiança entre empreendedores e administração municipal”, adianta. O projeto prevê parcerias com entidades de empresários e trabalhadores. Questionado sobre a “Guerra Fiscal”, é sucinto: “Não vamos perder nenhuma empresa por falta de incentivo.”
IPTU
Em 2004, Tarcísio propunha revogação da lei de IPTU. Mais moderado, hoje o prefeito eleito fala em revisão do sistema. “Vamos formar uma comissão de técnicos, associações de moradores e empresários da construção civil para estudar os valores e chegar ao consenso mais amplo possível”, explica.
Faixa Nobre
“Vou acabar com a Faixa Nobre”. Tarcísio é veemente quando afirma que não concorda com o sistema aplicado pela Prefeitura na organização do trânsito central. Ele antecipa que uma das primeiras ações de seu governo será licitar a instalação de parquímetros, que considera serem mais democráticos.
