Scheffel fala das dificuldades para torna-se um artista renomado em diferentes gêneros artísticos.
Felipe de Oliveira – felipe@novohamburgo.org
Ele é o único americano com obras públicas em Florença, considerada o “museu da Europa”. Prêmios não lhe faltam. Olhando assim, parece fácil. Para conquistar notoriedade, entretanto, Scheffel passou por muitos obstáculos. A começar pela própria família. “Ter um filho artista é uma tragédia”, conta que dizia um cliente ao pai barbeiro. Ainda criança, brincando fazia os primeiros rabiscos na areia do quintal. A mãe era aliada. Comprava tintas sem que o pai soubesse. Uma tia ensinava as primeiras lições de pintura a óleo. Em 1935, chega com a família a Novo Hamburgo, cidade que o acolheria para a posteridade.
Adolescente, Scheffel vira bolsista da Escola de Belas Artes de Porto Alegre e da Escola Técnica Parobé, no ano de 1941. “O talento não se constrói em uma vida, precisa de muitas”, acredita o espirituoso artista. O sucesso parecia natural. Em 1947, a primeira grande oportunidade. Convite para o Salão Militar de Artes no Rio de Janeiro. A viagem? Mais uma das histórias da autobiografia. “Fui levado ao Rio em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira). Eu, no meio das cargas, com uns 15 trabalhos em baixo do braço. Quando cheguei me disseram: tira essa farda e vista-se como carioca.”
No centro do país conhece o mestre Oswaldo Teixeira, que antecipa: “o futuro dirá o que escrevo, será um grande artista”. Frase utilizada na solicitação de uma bolsa de estudos ao governo gaúcho para retornar ao Rio de Janeiro. A Europa era uma questão de tempo e o Rio de Janeiro, apenas escala. A partida ocorre em 1959. Aconselhado por Teixeira, antes de chegar à Itália percorre outros países em busca de aperfeiçoamento. A arte produzida em Florença assemelhava-se muito com a de Scheffel. Explicação para a ligação maior com os italianos e não com a Alemanha, de onde descendia. O artista é mais abstrato. “A alma não tem pátria.”
Música
Scheffel nasceu para a arte. Sua efervescência cultural se expressa em cada obra. A música também faz parte dessa gama. Só que pouca gente imaginava que em 1963, com a carreira de artista plástico consolidada, se apresentaria publicamente também como compositor. Primeira audição com a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre – Ospa, dirigida na época pelo Maestro Pablo Komlós. Faltava o reconhecimento público no Vale do Sinos, “o berço”. E ele veio em 1974. O artista é convidado a expor em comemoração aos 150 anos da imigração alemã, a “Sesquibral”. Novo Hamburgo, São Leopoldo e Campo Bom – sua cidade natal – brigam para ser sede da Fundação Scheffel. Os hamburguenses levam a melhor. Em 2004, a retribuição formal com o título de “Cidadão de Novo Hamburgo” conferido pela Câmara Municipal.
Reprodução: O Flautista, 1973 – Técnica mista – 180 X 120 – Florença