O novohamburgo.org recebeu esta denúncia da hamburguense Priscila Dias Fenner e decidiu publicá-la na íntegra. A jovem critica a atitude de uma funcionária de um estabelecimento de Novo Hamburgo com um portador de síndrome de down.
Confira:
Neste último sábado, 12/01/2013, eu e meu namorado tivemos a infelicidade de presenciar o preconceito e a hipocrisia do ser humano enquanto fomos tomar sorvete em uma tradicional sorveteria no centro de Novo Hamburgo, na rua que leva o nome do mais importante herói farroupilha.
Ficamos perplexos ouvindo os absurdos que a caixa da sorveteria dizia a um portador de síndrome de down. O homem se serviu de sorvete e quando foi pagar não tinha dinheiro suficiente. Pelo que vimos, eram necessários R$ 18,00. Ele deu uma nota de R$ 10,00 e umas moedas, enquanto ela, já perturbada, disse que faltavam “três daquelas”… Muito sem jeito e sem educação, ela o xingou como se ele estivesse fazendo aquilo por pura malandragem, quando dava pra ver claramente que ele não estava entendendo nada o que estava acontecendo.
A caixa, já muito exaltada, perguntou para ele o que ela deveria fazer com aquele sorvete, tirou o pote da mão dele e colocou no lixo. Chamou sua funcionária e a repreendeu perguntando: “por que tu deixaste ele se servir desse jeito? Não viu que ele não tem dinheiro, que ele é deficiente?”. A cena deixou a funcionária muito sem jeito. Indignados, pegamos nossas coisas e, junto com mais duas mulheres, que estavam sentadas atrás de nós, fomos embora.
Ao sair pela porta, nos deparamos com o homem sentado numa mesinha comento um sorvete expresso. Dava pra ver que ele não tinha entendido nada e como não conseguiu o seu sorvetinho lá dentro, foi tentar lá fora…
Infelizmente, essa situação deplorável estragou nosso dia e tenho certeza que estragou o das outras clientes. É incrível como ainda existem pessoas como essas no mundo, que não respeitam as diferenças e que por míseras moedinhas coloquem fora o alimento, por puro preconceito e insensatez. No início da semana, procuramos o Conselho de Pessoas Portadoras de Deficiência da cidade para saber quais as providências certas a serem tomadas em uma situação dessas e redigimos esse texto para compartilhar com a comunidade. Como cidadãos, não podemos deixar que isso aconteça novamente. Preconceito é crime!
Priscila Dias Fenner

