Estudo sobre a população 60+ aponta que Rio Grande do Sul deve interromper crescimento populacional e reforça o potencial econômico desse público
O avanço da população 60+ no Rio Grande do Sul já provoca mudanças na economia, no consumo e até na dinâmica demográfica do Estado. O tema foi destaque durante palestra realizada nesta quinta-feira (25), no Prato Principal promovido pela ACI, no Centro de Eventos Swan Novo Hamburgo.
O encontro contou com a participação de Martin Henkel, fundador do SeniorLab Mercado e Consumo 60+, que apresentou dados sobre o envelhecimento da população e seus impactos para empresas, serviços e poder público.
População 60+ já representa parcela importante na região
Segundo Henkel, Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Ivoti somam cerca de 68,4 mil moradores com 60 anos ou mais. Juntos, eles movimentam aproximadamente R$ 2,1 bilhões por ano na economia local.
O pesquisador destacou ainda que um em cada cinco habitantes desses municípios pertence a essa faixa etária. Em Novo Hamburgo, inclusive, o número de pessoas com 60 anos ou mais já supera o de crianças e adolescentes entre 0 e 14 anos.
Com base em projeções elaboradas pelo SeniorLab a partir de dados do IBGE, Henkel afirmou que o Rio Grande do Sul deverá interromper seu crescimento populacional em 1º de julho. A estimativa considera que o número de óbitos passará a superar o de nascimentos, fazendo com que o Estado registre uma redução média de oito habitantes por dia.
População 60+ cria oportunidades para empresas e comunicação
Durante a apresentação, o especialista explicou que o público acima dos 60 anos é formado por diferentes gerações. Os chamados Baby Boomers reúnem pessoas entre 61 e 80 anos, enquanto a geração silenciosa contempla aqueles com 81 anos ou mais. Há ainda a chamada geração grandiosa, composta por brasileiros com 97 anos ou mais.
Henkel ressaltou que o crescimento desse grupo etário pode reduzir a oferta de mão de obra e aumentar a demanda por serviços públicos, mas também abre espaço para novos negócios. No varejo, por exemplo, consumidores 60+ costumam apresentar um tíquete médio superior ao da média geral. Em compras para o Dia dos Namorados, pesquisas indicam que esse valor pode ser até 66% maior.
Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptar estratégias de marketing para atender melhor esse público. Alterações naturais relacionadas ao envelhecimento influenciam aspectos como percepção de cores, leitura e audição, tornando recomendável o uso de contrastes mais marcantes, fontes de fácil visualização e mensagens sonoras com vozes mais graves.
O pesquisador também destacou que o estereótipo de resistência à tecnologia não corresponde à realidade. Segundo ele, 78% das pessoas com 60 anos ou mais no Brasil possuem smartphone, percentual que chega a 82% no Rio Grande do Sul. Além disso, esse público mantém presença ativa em redes sociais como Facebook e Instagram, tornando-se um segmento cada vez mais relevante para as marcas e para o mercado consumidor.
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