Adolescente de 13 anos confessou ter efetuado o disparo que matou jovem de 16. Polícia investiga acesso à arma e circunstâncias do caso
Uma tragédia envolvendo adolescentes chocou a comunidade de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, e reacendeu o debate sobre o acesso de menores a armas de fogo. Um adolescente de 16 anos morreu após ser atingido por um disparo, ocorrido durante um encontro entre amigos, em uma residência no município. O autor do tiro, segundo a Polícia Civil, é um menor de 13 anos, que se apresentou às autoridades acompanhado dos pais e confessou ter realizado o disparo.
O caso ocorreu na sexta-feira, 16 de janeiro de 2026, e mobilizou equipes da Brigada Militar e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O jovem ferido chegou a ser levado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco tempo depois.
De acordo com as informações apuradas até o momento, os adolescentes estavam reunidos de forma informal na casa de um deles quando o menor de 13 anos teria levado uma arma de fogo para o local. Conforme o depoimento prestado à polícia, o disparo não teria sido intencional, ocorrendo durante um momento de descontração entre os jovens.
Após o ocorrido, o adolescente de 13 anos deixou o local, mas no dia seguinte se apresentou espontaneamente à Delegacia de Polícia, acompanhado pelos responsáveis legais. Em depoimento, ele afirmou ter ficado em estado de choque após o disparo e disse não ter tido a intenção de ferir o amigo. O menor também indicou à polícia o local onde a arma havia sido escondida, permitindo a apreensão do armamento, que será periciado.
A Polícia Civil de Novo Hamburgo instaurou procedimento para apurar o caso, que inicialmente é tratado como um ato infracional análogo a homicídio. As investigações agora buscam esclarecer pontos fundamentais, como a origem da arma, de quem era a posse legal e como o adolescente teve acesso ao armamento. A possibilidade de negligência por parte de um adulto responsável pela guarda da arma também está sendo analisada.
Outros adolescentes que estavam presentes no momento do disparo devem ser ouvidos nos próximos dias. A polícia também aguarda laudos periciais que podem ajudar a confirmar a dinâmica do ocorrido e verificar se houve falha no manuseio da arma ou se o disparo ocorreu de forma totalmente acidental.
Por se tratar de menores de idade, o caso tramita sob sigilo parcial, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O adolescente de 13 anos não permanece apreendido, mas poderá ser submetido a medidas socioeducativas, a depender da conclusão do inquérito e da decisão do Judiciário.
A morte do jovem causou forte comoção entre familiares, amigos e moradores da região. Nas redes sociais, mensagens de pesar e homenagens à vítima se multiplicaram, enquanto o episódio gerou preocupação sobre a exposição de adolescentes a situações de risco e à circulação irregular de armas de fogo.
Autoridades da segurança pública reforçam que arma não é brinquedo e alertam para a responsabilidade legal de adultos que mantêm armamentos em casa. A legislação brasileira determina regras rígidas para posse e guarda de armas, especialmente para evitar o acesso de crianças e adolescentes.
Com informações Polícia Civil/RS.
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