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Reportagens

Crack: ressocializar é possível

EditorPor Editor28 de maio de 2009Atualizado:18 de agosto de 20094 Mins Leitura
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O número avassalador de usuários de drogas em surto tomou conta de hospitais e clínicas de maneira repentina. O que acontece nestes locais é um reflexo do que anda ocorrendo em ruas e nos lares espalhados pelo Brasil. Raridade no começo da década, os dependentes de crack já representam metade dos internos no setor de dependência química do Hospital Psiquiátrico São Pedro, localizado na cidade de Porto Alegre. Para se ter uma ideia, aproximadamente 90% destes jovens já utilizaram a substância entorpecente. Já, em Lajeado, no Centro Terapêutico São Francisco, o número de atendimentos relacionados aos depedentes de crack saltou, em apenas três anos, de 10% para 72% das pessoas que buscam se recuperar da drogadição.

Leia também:

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Crack: ressocializar é possível

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A recuperação é difícil e continua, mas, o psiquiatra do Centro Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD) da cidade de Novo Hamburgo, Pablo de Oliveira Corrêa, destaca que a família e a força de vontade do dependente em se recuperar são fundamentais para o êxito do tratamento. “O procedimento envolve uma revisão individual das atitudes de cada membro da família”, afirma.

No entanto, Corrêa alerta que o núcleo familiar pode tanto potencializar a melhora do paciente, quanto ajudar a piorar a situação.Conforme o diretor da Fazenda Renascer, Ivander da Silveira, a família é peça fundamental em qualquer tipo de tratamento, seja em abrigos, centros terapêuticos ou clínicas. “O núcleo familiar necessita se modificar, pois só assim, o dependente se transformará”, declarou.

Em relação aos centros terapêuticos, o tratamento desenvolvido por estas instituições está alicerçado em três pilares. “Trabalho, disciplina e espiritualidade e o tempo inicial deste procedimento dura em média nove meses”, explica o colaborador da Fazenda Renascer, Marco Leite.

Usuário de drogas durante uma década e meia, Nelson Moraes buscou tratamento há 17 anos atrás. Após sua recuperação, Moraes resolveu fundar uma instituição para ressocializar dependentes químicos. Nascia assim o centro terapêutico evangélico Desafio Jovem Luz do Vale, na cidade de Campo Bom. Em uma propriedade de cinco hectares localizada na zona rural do município nos limites com as cidades de Dois Irmãos e Sapiranga, Moraes iniciou as atividades de reintegração de ex-usuários de drogas na sociedade. Nas quatro unidades do centro (três localizadas em Campo Bom e uma em Taquari) são desenvolvidas ações preventivas (palestras e seminários), oficinas de culinária, criação de animais (galinhas, ovelhas e porcos), cultivo de frutas cítricas e hortaliças (18 variedades de legumes e verduras) e produção de alimentos (massas caseiras, pastéis, sonhos, sucos e trufas).

Em 13 anos de atividades, o Centro Terapêutico Luz do Vale já atendeu 10 mil pessoas de diferentes localidades e países. Atualmente, a instituição abriga

80 internos, dos quais 90% são dependentes de crack.

Atuando como colaborador do Desafio Jovem, o ex-dependente químico L.A.O., de 19 anos, conta como foi incentivado a entrar para o mundo das drogas. “Na minha infância já tinha contato visual com a drogadição ao ver minha mãe utilizando bebida alcóolica, maconha e cocaína”, relata.

Ainda na adolescência vivida na cidade de Alvorada, L.A.O. começou a fumar cigarro, tendo contato seguido com a maconha, quando passou a utilizar a droga junto com sua mãe e seu padrasto. Com 15 anos, o jovem passou a consumir crack e cocaína. “As más amizades me levaram a ir por este caminho tenebroso, destruindo a minha vida e me obrigando a vender minhas roupas e efetuar pequenos furtos para comprar droga”, conta.

Em um determinado momento, quando L.A.O. estava sobre o efeito das drogas, o adolescente acabou realizando um roubo. “Meu padrasto já não aguentava mais a minha situação. Ele descobriu e me procurou, quando me encontrou, me acorrentou as mãos e os pés, e me levou até a casa da minha mãe. Durante aquele momento ele me espancou com ferros de piscina e provocou queimaduras de cigarro em meu corpo, prometendo tirar a minha vida”, afirma. Mas, a partir de uma denúncia anônima de um vizinho, a vida conturbada até então de L.A.O mudou. A Brigada Militar chegou na residência do menor e o levou para o 1º DP de Alvorada. O caso do jovem virou matéria de capa de vários jornais do Rio Grande do Sul recebendo a manchete de “Mãe acorrenta filho na cidade de Alvorada pelas drogas”.

No ano de 2006, a vida de L.A.O. passou a deixar de ser atormentada pelo vício das drogas quando deu entrada em um centro terapêutico, no qual ele hoje é responsável pela direção de uma das três fases de tratamento da instituição.

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Crack é responsável por 90% dos internos de centros terapêuticos – Michel Pozzebon / Novo Hamburgo.org

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