“As políticas adotadas pelo governo americano ainda não geraram a repercussão esperada e dificilmente alguma nação sairá ilesa a esta crise” diz a economista hamburguense Liliane Fonseca
A mestre em economia e professora de Economia do Centro Universitário Feevale e do CESUCA, Liliane Fonseca da Silva, respondeu algumas perguntas ao Portal novohamburgo.org, analisando a crise na economia americana e as possíveis conseqüências para o Brasil e para a região do Vale do Sinos.
novohamburgo.org – A economia brasileira pode sofrer com a crise na economia americana?
Liliane Fonseca – Sim, as economias em geral serão afetadas. O que muda será a magnitude destas conseqüências, pois os países possuem estruturas econômicas, organização dos sistemas financeiros, entre outros aspectos, diferenciadas.
novohamburgo.org – Com a instabilidade na economia americana, como fica o setor de exportação? Isso pode ter reflexo em Novo Hamburgo? A alta do dólar beneficia as empresas do Vale do Sinos?
Liliane Fonseca -Teremos dois movimentos distintos, pois o fato da taxa de câmbio ter desvalorizado pode estimular exportações, todavia, o câmbio elevado pode elevar os custos com insumos importados que, juntamente com o aumento da taxa de juros (encarecimento do crédito) pode elevar os preços dos produtos acabados. Além disso, temos uma crise fincanceira mundial que acarretou uma diminuição da liquidez (falta de moeda) e um aumento na cautela dos agentes econômicos, o que pode reduzir o consumo mundial.
novohamburgo.org – Existe alguma medida possível para que o Brasil, o RS e Novo Hamburgo possam tomar para se protegerem?
Liliane Fonseca -A crise ainda apresenta modificações diárias, pois os agentes econômicos estão cautelosos, transferem recursos financeiros entre países, entre diferentes ativos financeiros, etc. As políticas adotadas pelo governo americano ainda não geraram a repercussão esperada para amenizar o quadro descrito. Sendo assim, temos que observar o comportamento das variáveis econômicas (preços, juros, câmbio, etc.) para a melhor tomada de decisão tanto de empresários, cidadãos, quanto do governo (setor público).
novohamburgo.org – Este tipo de problema abala o crescimento do Estado e ou do Brasil?
Liliane Fonseca – Conforme mencionado anteriormente, dificilmente alguma nação sairá ilesa a esta crise. O que pode mudar é a dimensão com que será afetada. Neste momento, é indiscutível uma modificação nos custos de produção (câmbio, juros, crédito…) das empresas. Logo, potencializando a modificação dos preços e de todos os movimentos derivados a partir daí (consumo, produção, emprego, renda…). Entretanto, o fato de estarmos no 2º semestre, que normalmente gera efeitos positivos na economia, assim como o final do ano (Natal, 13º salário, distribuição de lucros por algumas empresas, etc), pode amenizar as conseqüências negativas da crise para nosso país.
novohamburgo.org – Você acha que esta situação pode afetar diretamento o crédito, até pela proposta do presidente Lula de colocar mais dinheiro circulando no país?
Liliane Fonseca – De acordo com o que foi acima exposto, o crédito está sendo afetado de forma direta, pois as instituições financeiras estão mais cautelosas e cobrando mais caro pelo crédito. A proposta do governo é colocar mais recursos financeiros à disposição do mercado e, com isto, tornar o crédito mais acessível. Mas é importante lembrar que esta medida foi direcionada aos bancos públicos, o que pode não gerar impactos significativos em um primeiro momento.
novohamburgo.org – Na avaliação do presidente Lula, juntamente com alguns ministros, é preciso acompanhar os desdobramentos da crise, para só então avaliar que medidas podem ser adotadas para que a economia brasileira não seja muito prejudicada. Essa é a medida mais acertada?
Liliane Fonseca Sim, pois a crise ainda apresenta desdobramentos devido ao comportamento dos agentes econômicos, conforme mencionado nas questões acima.
