Por Daniela Cristina Machado para o novohamburgo.org
Numa época em que participar de um movimento estudantil significava correr muitos riscos, entre eles até a morte, os jovens não se acuaram, pelo contrário, lutaram bravamente. Tanto que, até hoje, as suas vozes ecoam pelos cantos do país.
Contudo, essas são histórias do passado. Nos dias atuais, a maioria dos jovens não pensa coletivamente, isola-se do mundo e, às vezes, luta pelos seus ideais particulares. Nem os escândalos políticos do governo Lula mobilizaram os estudantes. Nenhuma bandeira foi levantada, nenhuma faixa foi lida e nenhuma voz foi escutada.
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Mesmo assim, ainda existem aqueles que desenvolvem uma consciência política, discutindo e amadurecendo as suas idéias em pequenos espaços. É o caso dos Grêmios Estudantis nas escolas e dos Diretórios Acadêmicos (D.A) e dos Diretórios Centrais dos Estudantes (DCE) das faculdades e universidades.
Na semana passada aconteceu às eleições do novo Diretório Acadêmico da Ciências da Comunicação da Unisinos, que representa todos os estudantes dos cursos de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Jornalismo.
Porém, o número de votos foi baixíssimo. Fiquei espantada com a falta de conhecimento dos estudantes. Fiz uma pequena enquete com alguns alunos e maioria não sabe o que é um D.A, para que ele serve e onde ele se localiza dentro do campus. E os alunos que o conhecem, geralmente não costumam participar de suas ações, de suas eleições e muito menos de sua formação. O D.A da Unisinos está localizado em cima do restaurante Fratello, mas apenas um cartaz torto, contendo os eventos realizados pelo diretório durante a sua gestão, identifica o lugar.
Como explicar tamanho descaso com um grupo que, pelo menos na teoria, representa a voz dos alunos de comunicação e luta por melhorias no ensino e na universidade? Talvez seja pela falta de envolvimento e divulgação do próprio D.A. Não é comum presenciarmos reivindicações, projetos, eventos e discussões organizadas pelo diretório. Falta de Comunicação em um D.A que representa os alunos da área de comunicação é algo grave.
Mais grave ainda é a falta de interesse dos estudantes. Para ser eleita uma chapa precisa de, no mínimo, 10% de votos do número total de estudantes do Centro da Comunicação. O que não tem sido tarefa fácil. Deve ser pela falta de cumprimento das promessas, que ano após ano, são pronunciadas nos discursos e publicadas nos panfletos, mas nunca são colocadas em prática.
Está cada vez mais difícil encontrarmos jovens interessados em exercer a democracia. No mês passado participei de uma palestra sobre a importância do voto aos 16 anos. O assunto que dominava a sala lotada de jovens entre 15 e 17 anos não era o debate sobre a participação dos estudantes no processo eleitoral do país, mas sim a atualização das fofocas do final de semana.
Se a participação política em pequenos espaços já é pequena, imagina em esfera nacional. O cenário político do Brasil está cada vez mais se encaminhando para a corrupção e para o descaso com a população. Nós eleitores, esquecemos-nos do poder que temos na mão quando não atribuímos o devido valor ao voto.

