O ano era 1988. Colégio Pio XII, em Novo Hamburgo. Um grupo de estudantes decide participar do Festival Encenação. Entre eles, Alex Riegel, que escreve a peça de teatro para o festival. Era um humor negro, uma crítica à sociedade. Resultado: prêmio especial do júri pela ousadia do autor. “Para nós foi surpreendente. Eu fui o último a entrar no grupo e quando chegou o festival muitos integrantes já tinham saído”, lembra Alex.
O final dos anos 80 foi fértil para a cultura em Novo Hamburgo. Época de atores como Lourival Pereira, Rita de Oliveira e Penhalva Selbach. No grupo Traste, Alex firma parceria com Jarbas de Mello e deixa o emprego como vendedor. O preconceito existe ainda hoje. No início da década de 90… “Ser ator é uma profissão comum. Somos operários da cultura. Produzimos arte, como o sapateiro produz o sapato”, faz questão de salientar, sem esquecer o brilho da arte.
Em 1992, ainda com Jarbas, Alex viaja pelo Brasil com o espetáculo Sonhos e Saudades. Dois doentes mentais em um hospital psiquiátrico que fazem da “loucura”, poesia. Chegaram a ser convidados para ir ao México. Faltou apoio financeiro, fato que levaria Alex à padaria. Como padeiro, ganhou a vida por algum tempo até que em 1997, depois de rodar o interior do Estado produzindo um espetáculo para Fernanda Montenegro, vai à São Paulo atuar em uma peça na qual Paulo Autran fora protagonista.
O retorno
Na volta ao Rio Grande do Sul a bagagem trazia experiência. Alex escreve a Caravana da Alegria, sobre os 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil. Ganha prêmios entre 1999 e 2000, quando surge uma das principais oportunidades da carreira. O espetáculo é convidado para o Festival Internacional de Artes de Edimburgo. Ali surgia o personagem Alaor, O Contador de Histórias.
