
A OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos) e o Bird (Banco Mundial) divulgaram nesta terça-feira, 31, panoramas sombrios sobre a economia mundial, lembrando aos líderes mundiais que se reunirão na próxima quinta-feira na reunião de cúpula do G20, em Londres, a urgência de encontrar remédios para a crise em que o planeta está mergulhado em sua primeira recessão em décadas.
O Bird previu quedas sem precedentes no PIB mundial e nos volumes comerciais para este ano, pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, e advertiu que o crescimento também sofrerá forte desaceleração no vulnerável mundo em desenvolvimento.
O Bird indicou que a economia mundial sofrerá contração de 1,7% em 2009, enquanto os 30 países da OCDE destacaram que seu PIB cairá 4,3% este ano.
“A economia mundial está no meio da recessão mais profunda e sincronizada de nossas vidas, causada por uma crise financeira mundial e agravada por um colapso do comércio mundial”, indicou Klaus Schmidt-Hebbel, economista chefe da OCDE.
O PIB dos EUA recuará 4% este ano, o da zona euro, 4,1%, e o do Japão, 6,6%, destacou a OCDE.
A OCDE, que falou em uma “hemorragia econômica”, também pediu aos governos que estimulem a economia para gerar uma recuperação em 2010.
O presidente do Bird, Robert Zoellick, utilizou as novas previsões para argumentar a favor de uma linha de crédito no valor de 50 bilhões de dólares (38 bilhões de euros) para beneficiar os países mais pobres do mundo.
“O apoio do G20 nos ajudará a ganhar mais impulso”, indicou em um discurso antes da Cúpula de 20 líderes de potências industrializadas e emergentes que será realizada na quinta-feira em Londres na tentativa de encontrar respostas comuns para esta crise.
Apesar das previsões sombrias, a maioria das Bolsas se recupera da queda da véspera: o índice Footsie 100 da Bolsa de Londres ganhava 3,02% no início da tarde (hora local).
Com a aproximação do encontro do G20, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou que os líderes mundiais devem devolver dignidade às finanças mundiais, enquanto lançou uma advertência aos manifestantes que prometeram causar sérias perturbações no centro de Londres.
“Comprovarão quinta-feira no G20 que, pela primeira vez na história, as economias mundiais vão aprovar regras internacionais sobre a remuneração dos banqueiros”, declarou Brown.
No Japão, o primeiro-ministro Taro Aso disse que seu país desempenhará um “papel de liderança” na cúpula para que a economia mundial ganhe um acesso mais fluido ao capital que necessita”.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, advertiu que a França não aceitará nenhum consenso que ignore sua reivindicação de mais regulação financeira, ao tempo que minimizou os chamados dos EUA para aumentar os pacotes de estímulo.
“A crise é muito grave para se permitir uma cúpula para nada”, destacou Sarkozy.
France Presse
