
Medida causa polêmica, pois teria condições ilegais e protecionistas. União Européia pode não aprovar pacote de Sarkozy.
A Comissão Europeia quer verificar a legalidade da ajuda que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, prometeu às montadoras do país. A comissária da Concorrência, Neelie Kroes, se declarou nesta terça-feira, 10, preocupada com a notícia divulgada pela imprensa.
“Caso a ajuda estiver condicionada à permanência da produção no país, ela seria ilegal e não seria autorizada por nós”, declarou. Ela disse ter enviado correspondência ao governo de Paris solicitando mais informações. “Queremos saber todos os detalhes.”
Kroes disse que a Comissão Europeia analisará “o mais rápido possível” se aprova ou não o pacote francês. Pela legislação europeia, auxílios e subsídios concedidos pelos governos dos países-membros devem estar de acordo com as normas de concorrência e do mercado comum da União Europeia (UE), que garante a livre circulação de capital e mercadorias.
Sarkozy anunciou na noite de segunda-feira que as montadoras Peugeot Citröen e Renault receberão, cada uma, um empréstimo de 3 bilhões de euros pelo período de cinco anos, com juros abaixo dos praticados no mercado. Em contrapartida, elas se comprometeriam a não fechar fábricas na França e fazer todo o possível para evitar demissões.
Segundo a imprensa europeia, haveria ainda outras condições: as montadoras se comprometeriam a não transferir sua produção para outros países durante o período em que durar o empréstimo e a privilegiar fornecedores locais.
Na semana passada, Sarkozy causou polêmica ao exigir da Peugeot Citröen e da Renault que produzam automóveis na França. A declaração desagradou o governo da República Tcheca, que ocupa a presidência semestral da União Europeia. A Peugeot têm uma unidade na República Tcheca.
As declarações de Sarkozy levaram a presidência tcheca da UE a convocar, para o final de fevereiro, uma reunião de cúpula extraordinária para debater o protecionismo. Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, disse que o último impulso para a reunião foi dado por Sarkozy e sua “atitude protecionista” em relação à indústria automobilística.
Deutsche Welle
