
George Mitchel, negociador especial americano para o conflito, disse que os esforços de paz passam pela aspiração palestina de controlar seu próprio destino.
O enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, reiterou nesta sexta-feira, 17, desta vez ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o compromisso de seu país com a solução de dois Estados, que na quinta-feira tentou impulsionar diante do novo Governo de Israel.
Após o encontro com Abbas na sede da ANP na cidade cisjordaniana de Ramala, Mitchell falou brevemente com a imprensa, para afirmar que a criação de um Estado palestino “não é só em interesse dos palestinos, mas também interesse de Israel e de toda a região”.
Washington, reiterou Mitchell, considera que a solução de dois Estados é “a única e a melhor”, e acredita firmemente que os esforços destinados a alcançar a paz no Oriente Médio devem ser orientados a estabelecer um Estado que dê cumprimento às aspirações palestinas de controlar seu próprio destino.
O chefe de negociação palestino, Saeb Erekat, que esteve presente no encontro entre o enviado americano e Abbas, disse, em entrevista coletiva posterior, que os dois “enfatizaram o compromisso mútuo da Administração (do presidente dos EUA, Barack) Obama e da liderança palestina com a solução de dois Estados”.
Erekat destacou que “a Administração Obama tem um papel crucial como um moderador equânime e honesto entre palestinos e israelenses”, e acrescentou que “o êxito de seus esforços para reativar o processo de paz está, em grande parte, em sua habilidade para realizar essa tarefa”.
Abbas reiterou a Mitchell suas exigências de que seja interrompida a atividade nas colônias israelenses, as instituições palestinas em Jerusalém Oriental sejam reabertas e haja o fim das restrições de movimento na Cisjordânia e do bloqueio sobre Gaza.
Além disso, disse ao enviado americano que, até que o Governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirme “inequivocamente” seu apoio à solução de dois Estados e seu reconhecimento dos anteriores acordos, os palestinos não terão “um parceiro para a paz”.
Segundo Erekat, a exigência de Netanyahu de que os palestinos reconheçam Israel como Estado judeu antes de iniciar qualquer tipo de negociação – não incluída em anteriores acordos de paz – só serve para “paralisar o progresso nas negociações” e mostra que “Netanyahu não pode conseguir a paz”.
“A OLP (Organização para a Libertação da Palestina) já reconheceu o Estado de Israel”, disse Erekat, acrescentando que “Netanyahu rejeita inclusive mencionar um Estado palestino”.
O novo primeiro-ministro israelense, que chegou ao cargo no início deste mês, não mostrou até agora seu apoio à solução de dois Estados e optou por propor uma ambígua “paz econômica” para os territórios palestinos ocupados.
Erekat rejeitou hoje este conceito e disse que “o desenvolvimento econômico é um direito próprio dos palestinos, do qual foram privados como resultado direto da ocupação israelense”, e reiterou que a solução tem que ser política.
Abbas também denunciou a Mitchell o que denomina de “política de judaização de Jerusalém”, que está levando à derrubada de casas palestinas e o deslocamento forçado de famílias árabes que moram na parte oriental da cidade.
O presidente palestino também expôs ao enviado americano a situação das negociações de reconciliação entre as facções palestinas, que acontecem com a mediação do Egito e devem ser retomadas no final deste mês, e sobre a reconstrução da Faixa de Gaza.
Este é a terceira viagem de Mitchell à região desde que chegou ao cargo, em janeiro, mas a primeira desde a ascensão do novo Governo conservador de Israel, que ainda não apresentou suas políticas em relação à busca da paz na região.
Mitchell transmitiu ontem a Netanyahu e a seu ministro de Exteriores, Avigdor Lieberman, líder do partido de extrema-direita Yisrael Beiteinu, que os EUA “continuam comprometidos com a criação de um Estado palestino” e que “espera ver esforços” nesse sentido.
Deutsche Welle
