Educação antirracista integra projetos que envolvem crianças, educadores e famílias no cotidiano escolar
A educação antirracista passou a ocupar um espaço permanente nas ações desenvolvidas pela EMEI Negrinho do Pastoreio. Desde 2023, a instituição vem promovendo iniciativas voltadas à valorização da diversidade, envolvendo estudantes, profissionais, famílias e toda a comunidade escolar.
O movimento teve início durante o processo de construção da nova identidade visual da escola. A reflexão sobre representatividade e pertencimento levou a equipe a ampliar o debate sobre questões étnico-raciais e a estruturar ações que pudessem integrar esse tema ao cotidiano escolar.
De acordo com a diretora da escola, Mylena Paz Boll, a iniciativa surgiu da percepção da importância de consolidar um trabalho permanente voltado à promoção da igualdade e do respeito às diferenças.
Entre os projetos desenvolvidos está o Kisambu Literário, destinado às crianças. A proposta reúne livros com temática étnico-racial e objetos relacionados à cultura afro-brasileira em um grande cesto disponível na biblioteca da escola. Semanalmente, os alunos podem levar o material para casa, proporcionando momentos de leitura e diálogo com suas famílias.
Segundo a direção, a iniciativa busca aproximar os responsáveis das histórias trabalhadas em sala de aula e incentivar conversas sobre diversidade também fora do ambiente escolar.
Educação antirracista também mobiliza profissionais e famílias
Além das atividades com os estudantes, a formação dos profissionais também passou a fazer parte das ações da escola. Em 2025, foi criado o Clube do Livro da Negrinho, que reúne professores, estagiários e profissionais terceirizados para a leitura e discussão de obras relacionadas ao tema.
A primeira obra trabalhada foi “Como Ser um Educador Antirracista”, da autora Bárbara Carine. Após a conclusão da leitura, o grupo deu continuidade às atividades com novos títulos, ampliando as reflexões sobre práticas educacionais inclusivas.
Das discussões promovidas pelo clube surgiu ainda o projeto Faces que Movem Nossa Escola. Inspirada na filosofia Ubuntu, conhecida pelo princípio “eu sou porque nós somos”, a iniciativa convida famílias a participarem de oficinas de autorretrato realizadas durante os sábados letivos.
Durante as atividades, os participantes produzem representações de si mesmos em bandeiras de tecido, que hoje fazem parte da ambientação da escola. As produções destacam a diversidade presente na comunidade escolar e contribuem para fortalecer os vínculos e o sentimento de pertencimento.
Para a assessora pedagógica da Gerência de Educação Inclusiva e Diversidade da Secretaria Municipal de Educação (SMED) e coordenadora do projeto Escolas Sementeiras, Fernanda Duarte de Oliveira, ações como as desenvolvidas pela EMEI Negrinho do Pastoreio ajudam na formação de cidadãos mais conscientes e comprometidos com uma sociedade mais justa, respeitosa e inclusiva.
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