
O mundo vive crise cíclica de superprodução, superprodução de capital gerada pelo aumento desmensurado da produtividade da força de trabalho global, alerta especialista.
A mídia tem insistido nos últimos meses com matérias sobre a crise econômica global. Chamada de crise financeira, na verdade o setor financeiro é a última ponta da economia onde se reflete a superprodução de capital, que ocorre em ciclos regulares na economia capitalista.
Mas o que é mesmo uma crise de superprodução? Não se trata simplesmente de uma produção excessiva de mercadorias, nem da falta de pessoas que comprem as mercadorias produzidas.
O professor José Martins, doutor em economia, explica que “o problema é uma abundância de mercadorias que não podem ser vendidas a uma determinada taxa de lucro”, o seja, os empresários não conseguem vender sua produção a um preço que dê o lucro desejado.
Para Martins, é necessário entender que “capital” não é simplesmente dinheiro, ou mercadorias, ou máquinas, ou mesmo a relação de produção (salários e jornada de trabalho).
Para ele, “capital é o valor que se procura valorizar através do aumento da exploração da classe operária. Superprodução de capital é exatamente isto: o aumento desmensurado da produtividade da força de trabalho global”.
Martins vai adiante: o capitalismo tem uma força interna chamada de contradição intrínseca, isto é, ao mesmo tempo em que o empresário busca produzir mais mercadorias a um custo mais baixo, reduz as taxas de lucros levando as empresas à falência.
Este movimento se propaga por todo o sistema, já que todas as empresas fazem o mesmo buscando mercados através da concorrência de preços. E para reduzir ainda mais os custos, os empresários achatam salários e demitem trabalhadores, fechando oi ciclo da crise, já que menos trabalhadores empregados ou salários mais baixos desaquecem o mercado.
