Conto do escritor Henrique Schneider vira curta-metragem e disputa festivais pelo Brasil em 2009.
Felipe de Oliveira felipe@novohamburgo.org
Cinema e literatura andam lado a lado. Exemplos de sucesso não faltam.
Entre os mais recentes, Ensaio sobre a cegueira. Livro de José Saramago, filme adaptado pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles.
Baseada nessas experiências, a recém formada cineasta Cris Presti Werle decidiu tornar curta-metragem um dos contos do escritor hamburguense Henrique Schneider. O monstro debaixo da cama serviu como inspiração para Dormindo no Escuro, trabalho de conclusão do curso de Realização Audiovisual da Unisinos.
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Conheça melhor o escritor hamburguense Henrique Schneider
O monstro debaixo da cama é um dos textos produzidos por Schneider para o espaço Vida Breve, publicado desde 2003 por um jornal dominical de circulação regional no Vale do Sinos. Como o próprio nome indica, são breves crônicas do dia-a-dia que abordam com bom humor e inteligência os principais dilemas da humanidade.
Nos últimos anos, o escritor promoveu um projeto de leituras públicas e gratuitas dos contos patrocinado pelo Centro Universitário Feevale, que percorreu cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires.
O CURTA-METRAGEM
Dormindo no Escuro é dirigido por Cris Presti Werle e foi produzido no final de 2008 com a participação de outros formandos em Realização Audiovisual. Cada um exerce a função para a qual se especializou.
Os atores são profissionais e aceitaram o convite apostando na qualidade do projeto, sem remuneração. Entre eles, Marcos Verza, do longa gaúcho Valsa para Bruno Stein, e Carolina Sudati, melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado em 2008 por Um dia como hoje.
Com recursos escassos da universidade, a produção recebeu apoio da Padaria do Horto, Westphalen Móveis e Art Windows.
O curta-metragem tem 19 minutos e aborda o medo de dormir no escuro. Uma livre adaptação do conto de Henrique Schneider. “Meu conto é apenas um breve ponto de partida. A partir da idéia, a garotada construiu sua própria história”, avalia o escritor. “Literatura deve ser sempre ponto de partida, nunca de chegada. Deve começar a discussão, nunca fechá-la”.
Ao falar sobre o conto, Cris explica os motivos que a fizeram escolhê-lo. “A literatura do Henrique tem característica cinematográfica. Quando escreve, ele descreve muito bem.”
A CINEASTA

O interesse de Cris Werle (foto) pelo cinema começou cedo. Ainda no ensino médio e por acaso. Pode acreditar. Mal sabia ela que anos depois estaria prestes a disputar prêmios com um filme de sua autoria.
A cineasta estudava na Escola de Aplicação Feevale, onde participou do projeto Cinemachado, que propunha a adaptação de um conto de Machado de Assis.
O resultado foi um curta-metragem roteirizado por ela com apoio do namorado Lucas Oliveira. “Juntos, decidimos encarar o curso de cinema na Unisinos”, lembra Cris. Lucas também participa de Dormindo no Escuro como diretor de fotografia.
FESTIVAIS
A partir de maio Cris começa uma peregrinação por festivais de cinema do circuito nacional disputando prêmios com Dormindo no Escuro. Não descarta nenhum que aceite curta-metragem. “Pretendo participar do festival de Recife, Brasília…”, explica.
O trabalho passa também por avaliação dos coordenadores do curso de Realização Audiovisual e pode representar a Unisinos no Festival de Gramado. “Me surpreendi positivamente. Vai bem além de um trabalho de conclusão, tem uma cara muito profissional. Os cuidados de direção, produção, o texto… Tudo está bem medido, bem pesado, prendendo a atenção do espectador”, elogia Henrique Schneider.
DORMINDO NO ESCURO

Renato desapareceu. O detetive Marcos ouve três testemunhas tentando encontrá-lo: Suzana, colega de trabalho e amante; Dr. Pedro, terapeuta que o atendia; dona Maria, a mãe. Todos suspeitos até o final da trama.
Suzana tem outro amante ciumento. Dr. Pedro, no currículo o sumiço de um paciente e dona Maria era a única beneficiária do seguro de vida do filho. Flashes remontam à luta de Renato contra um trauma de infância. Depois de ouvir de uma tia que o bicho-papão poderia pegá-lo, nunca mais dormiu no escuro.
Nos depoimentos, Suzana, Dr. Pedro e dona Maria relatam passagens em que Renato falara sobre a angústia. Enfim, ele decide superar o medo. Apaga as luzes e vai para a cama. Conseguirá dormir?
FICHA TÉCNICA
Elenco
– Renato (Marcos Verza)
– Detetive Marcos (Zé Mário Storino)
– Suzana (Carolina Sudati)
– Dr. Pedro (Álvaro Rosacosta)
– Dona Maria (Nídia Gutierres)
Roteiro/Direção/Supervisão de Montagem
Cris Presti Werle
Direção de Fotografia
Lucas Oliveira
Produção
Ricardo Zauza
Montagem
Luini Nerva
Assistência de Direção
Maurício Fulber
Direção de Som
Juliano Dias
Diretor de Arte
Daniel Alfaya
Animação
Anderson Bontempos
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Com informações de VERSÃO FINAL Comunicação – versaofinal@uol.com.br

