Basta um grito lá fora que tudo aqui dentro se estremece; basta o mercado norte-americano estar em dificuldades que a sua moeda é supervalorizada, quando deveria ser desvalorizada. Lei de mercado ou manipulação dos poderosos?
Um exemplo perfeito é o preço do barril de petróleo que estava acima dos US$ 140.00 e agora abaixo dos US$ 75.00 e nada acontece no meu bolso. Lógico, crise para uns, oportunidade para outros.
Já escrevi que as grandes redes compram por contrato e é quase impossível que um fornecedor possa aumentar o seu preço, ao passo que na gôndola, os preços são alterados imediatamente ao anúncio de crise, falta ou perda da sazonalidade, entre outros.
Outro exemplo clássico é o preço do álcool combustível no Rio Grande do Sul, principalmente na minha cidade. Está custando R$ 1,89 em São Leopoldo (cidades ao lado vendem por R$ 1,69) e não é vantagem usá-lo, ficando muito mais em conta o preço da gasolina. A safra termina em novembro, mas as usinas estão abarrotadas deste líquido e quem sofre? Claro que somos nós, a parte mais fraca, mas a mais boba.
Não estou ofendendo alguém que seja, mas se não compassemos produtos com preços elevados, diminuíssemos a quantidade de outros, com certeza que algo aconteceria, quer nos preços, quer nas condições. Leva certo tempo porque a primeira opção pros fabricantes é mexer na qualidade, ao invés de mexer nos custos fixos e procurar menores custos variáveis.
Tem uma grande rede transacional aqui no estado que vende certa marca super-conhecida de café por quase seis reais o quilo, ao passo que o mesmo café, embalado pelo mesmo fabricante, mas com o nome desta rede, custa menos de quatro reais. Só falta dizer que é royalties. Pode até ter, mas não neste percentual.
Portanto amigos, vamos aproveitar esta crise (em chinês esta palavra se complementa com oportunidade) e usar o bom-senso, refazer nossas prioridades, diminuir custos fixos e procurar novas opções. Usar somente produtos da safra, alternando sabores e valores nutritivos. Não vamos perecer por não comer todos os finais de semana a famosa costela; têm muitas opções de custo menor e com qualidade igual ou superior.
Se acreditarmos nos oba-oba da vida ficaremos a mercê dos especuladores que ganham com o nosso sofrimento, com a nossa derrota. Somos milhões e não somos unidos. Podemos derrubar qualquer empresa, bastando não mais comprar seus produtos.
De duas uma: ou ela quebra ou seus preços caem vertiginosamente. Se esta empresa maquiar seus produtos, cuidado, porque a propaganda bem feita vende até geladeira para esquimó.
Pensem a respeito e decidam: crise ou oportunidade?
Oscar Schild, vendedor, gerente de vendas e escritor.
”Por maior que seja o buraco em que você se encontra, fique feliz, porque ainda não têm terra por cima”. (desconheço o autor)
