Feira registrou 65 mil visitas em quatro dias, 10% menos do que em 2008, mas volume de negócios se manteve. Compradores do Brasil e da América Latina garantiram as vendas. Americanos e europeus vieram em pequeno número e exportações preocupam.
A Couromoda 2009 – 36ª Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro encerrou nesta quinta-feira, 15, em São Paulo, com resultados que refletem o novo cenário econômico do país. O número de visitantes foi 10% menor do que na edição anterior, totalizando 65 mil lojistas, industriais e compradores estrangeiros. No entanto, o número de razões sociais se manteve praticamente igual (cerca de 30 mil empresas), o que reflete a preocupação do varejo em enxugar custos, mas sem deixar de comparecer à feira e comprar.
“Registramos uma visitação muito qualificada, com a presença de visitantes com poder de decidir compras, o que resultou num volume de vendas fechadas e encaminhadas para os próximos 100 dias, da ordem R$ 6 bilhões”, destacou Francisco Santos, Presidente da Couromoda.
Ele enfatizou que a maior parte dos negócios aconteceu para o mercado doméstico e países da América Latina. “Recebemos compradores de todo o Brasil e 51 outros países, mas observamos que os europeus e norte-americanos vieram em menor número, em função da grave crise econômica que assola estes mercados. E isso antecipa dias difíceis na área externa, uma vez que – mesmo já vendendo para mais de 140 países ao redor do mundo – EUA e Europa continuam sendo o grande destino das exportações de calçados brasileiros”.
Santos acrescenta, “para o setor de calçados, o período crítico já passou”. O andamento geral desta Couromoda indica um primeiro trimestre de muito trabalho para a indústria calçadista, no sentido de manter seus níveis de vendas e de empregos. “Nossa indústria está tecnologicamente atualizada, saudável economicamente e profundamente empenhada em desenvolver calçados que atendam aos desejos de moda e as necessidades de consumo da população. O que dará mais trabalho, certamente, será retomar os volumes de exportação, que em 2008 chegaram a US$ 1,8 bilhão”.
Indústria está confiante
Expositores da COUROMODA 2009 demonstraram confiança no desempenho de vendas do primeiro trimestre, pois os negócios fechados na feira atenderam as expectativas.
A Dumond, do Grupo Paquetá, mantém o número de vendas da última feira, mesmo com uma redução de 21% no número de compradores recebidos em seu estande. “Tivemos uma qualidade maior no perfil de compradores, incluindo os internacionais, que vieram de países do Oriente Médio, Japão, França, Espanha e EUA”, acrescenta Leandro Mosmann, gestor superintendente da Dumond.
A marca Capodarte, também do Grupo Paquetá, que participou da Couromoda pela segunda vez, está feliz com os resultados. A grife triplicou o número de vendas em relação a 2008, aumentou em 35% o número de pontos-de-vendas em multimarcas pelo Brasil, além de ter fechado a abertura de 19 novas lojas da marca, entre franquias e próprias. “Ficamos surpresos e muito felizes com as vendas e os excelentes negócios gerados, pois temos certeza da qualidade dessas compras, temos um rigoroso controle nas vendas”, finaliza Mosmann.
Vulcabrás/Azaléia, um dos maiores fabricantes de calçados do país, declarou crescimento de 25% nas vendas da feira, em relação ao ano passado. A empresa recebeu mais de 10 mil visitas de compradores em seu estande, todos de olho nos lançamentos das sete marcas do grupo.
A Okean, da fabricante Aniger, comemora 100% de aumento de vendas em relação a 2008, tanto para mercado interno quanto para exportação. O diretor geral da empresa, Alan Ermel, garante: “Nosso estande ficou lotado todos os dias, com visitação muito maior do que no ano passado. Além de todos os países para os quais já exportamos na América do Sul, Europa, Estados Unidos, recebemos uma visita de Dubai, dos Emirados Árabes que, com certeza, trará excelentes resultados.
Carlos Pontin, assessor da presidência da Arezzo/Schutz, afirma que tanto as vendas quanto a visitação superaram todos os prognósticos mais otimistas. “Foi uma Couromoda surpreendente e já fechamos vários negócios tanto no Brasil quanto no exterior. A Mongólia nos visitou pela primeira vez com perspectivas de grandes vendas”, garante Pontin.
Em calçados masculinos, a Democrata teve uma visitação muito boa, semelhante à de 2008 e recebeu compradores da vários países inclusive Emirados Árabes e África do Sul, além de Europa e América Latina. “Andrea Rinaldi e Rodrigo Magalini, responsáveis pelo marketing da empresa, afirmam: “Nossa clientela veio em peso, todas as grandes redes fecharam negócios e os lojistas de pequeno e médio porte marcaram presença significativa”.
Os Projetos Comprador e Conforto, com rodadas de negócios entre empresários brasileiros e estrangeiros, realizados na Couromoda pela Assintecal – Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos –, também apresentou resultados positivos. Nos dois primeiros dias, foram realizadas 220 rodadas de negócios.
