
Enquanto a Brigada Militar amarga uma defasagem de 50% no seu quadro de policiamento, a Guarda Municipal conta com menos de dez homens para o policiamento ostensivo na cidade.
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“Policiamento nunca é suficiente.” Assim o Secretário de Segurança e Mobilidade Urbana de Novo Hamburgo, Luiz Fernando Farias justificou a falta de Guardas Municipais (GM) no policiamento ostensivo nas ruas da cidade. “Outro dia um colega que bateu a moto esperou mais de uma hora e meia a chegada de um Guarda Municipal”, contou um motorista profissional da cidade que pediu para não ser identificado.
“Não há espera. Nunca um acidente fica sem atendimento”, garantiu Farias. Apesar de reconhecer que há poucos policiais no efetivo serviço, ele disse que não tem previsão de realização de concurso público para o aumento do pessoal.
O esvaziamento das ruas de Guardas Municipais acontece principalmente pelo deslocamento de 26 Guardas para escolas municipais, determinado pelo governo de Tarcísio Zimmermann (PT).
“Guardas nas escolas estão nas ruas e fazem policiamento ostensivo, no trânsito, na prevenção às drogas, nas proximidades das escolas”, justificou Farias. O governo colocou 26 GM trabalhando 11 horas por dia (das 7 às 18 horas), de segunda à sexta, recebendo duas horas extras diárias.
Mas trabalhando efetivamente nas ruas, não passam de 10 guardas. “24 guardas trabalham durante o dia”, informou João Lacerda, diretor da GM. A informação foi confirmada pelo Secretário Farias, que explicou que estes 24 são divididos em dois turnos de seis horas, portanto, são 12 GMs nas ruas. Contudo, eles tem uma folga por semana, logo, este número pode cair para oito ou menos, caso haja alguma falta. Há poucos dias a viatura que faz o policiamento de Lomba Grande foi obrigada a vir para Novo Hamburgo porque não havia viatura na cidade.
Durante a noite são 26 guardas, explicaram Farias e Lacerda. Estes trabalham em turnos de 12 por 36, isto é, trabalham das 19 às 7 horas e só retornam ao trabalho no dia seguinte, folgando uma noite a cada noite trabalhada. Novamente, a quantidade de GMs efetivamente em serviço cai para cerca de 10 ou menos durante a noite.
A falta de GMs também cria muitas situações de risco. Os GMs que estão na escola se deslocam diretamente de casa para o seu posto. Uma viatura é obrigada a distribuir e recolher os equipamentos destes guardas todos os dias. São armas, 26 ao todo, rádios e coletes à prova de bala, transportados pela cidade acompanhados de, no máximo, dois guardas.
Segundo Lacerda, estão disponíveis hoje 105 GMs, de um total de 194. Dos indisponíveis, 25 estão em cursos de aperfeiçoamento e 18 estão cedidos para outras repartições, onde dois estão na Defesa Civil e dois na Polícia Civil, por exemplo. Neste exemplo, inclusive, houve aumento de GMs cedidos, o que contraria a promessa de campanha de Tarcísio de que este número seria reduzido. Ainda quatro cuidam das câmaras de monitoramento, quatro fazem guarda na própria sede da GM, outros quatro estão em licença de saúde e mais quatro estão afastados para investigação. Entre os investigados está o atual presidente da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, Antonio Lucas (PDT). Além de, em fevereiro, 26 estarem em férias.
Já os GMs em efetivo serviço, 105, segundo Lacerda, alguns ainda estão no serviço administrativo como o Cartório de Trânsito, a Ouvidoria, os inspetores. Farias reconhece que por turno a cidade não conta com mais de duas ou três motos e dois automóveis. Farias diz que como o Governo do Estado não provém pessoal para os órgãos de segurança, sobrecarrega a Guarda Municipal e agurmenta: “A obrigação da Guarda Municipal é com o patrimônio público”.
