
Decisão do Brasil de dar asilo político ao ex-ativista de esquerda, Cesare Battisti, toma proporções que colocam em xeque soberania brasileira e reavivam ódio ideológico.
O dirigente do Partido Democrático da Esquerda (PDS) Massimo DAlema, declarou nesta terça-feira que seu país não soube administrar a tensão diplomática existente com o Brasil, após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter concedido refúgio político ao ex-militante de extrema-esquerda Cesare Battisti.
Massimo é jornalista, militante da esquerda italiana desde a década de 60, é deputado e membro da Comissão Permanente de Relações com a Europa e Mercosul. “O caso não foi conduzido da melhor forma pelo governo italiano”, afirmou DAlema, durante uma entrevista ao canal de televisão “Sky Tg24”.
Lembrou que a França, em outubro do ano passado, também se negou a extraditar a ex-militante das Brigadas Vermelhas Marina Petrella. Para DAlema, é preciso agora tentar não agravar as relações com o Brasil. “É necessário, ao invés, estudar como retomar o diálogo político para buscar soluções depois de um caso tão desagradável”, afirmou.
As tensões diplomáticas entre Brasil e Itália pelo caso Battisti se agravaram nesta terça-feira, quando o governo italiano chamou o chanceler do país em Brasília, Michele Valensise, para consulta.
A decisão italiana aconteceu um dia depois de o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ter recomendado ao STF (Supremo Tribunal Federal) o arquivamento do processo de extradição de Battisti.
Battisti foi condenado por quatro assassinatos cometidos na década de 70 enquanto militava no PAC (Proletários Armados pelo Comunismo). No Brasil, o ex-ativista foi preso no Rio de Janeiro em 2007.
No último dia 13, o ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, concedeu a Battisti o status de refugiado político, o que garante que ele deixe a prisão e possa trabalhar e morar no Brasil.
Fonte: Ansa
