
O Supremo Tribunal da Califórnia (EUA), iniciou nesta quinta o debate sobre se deve ou não realizar novo plebiscito sobre a legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo no estado.
Um plebiscito semelhante já havia sido realizado em novembro, quando a proposta foi recusada. Cedo pela manhã apoiadores e opositores da medida, chamada de Proposição 8, se alinharam diante do Tribunal com banners, cartazes e uma tensa expectativa.
“Sabíamos que tínhamos de estar aqui para ver com nossos próprios olhos”, disse Katherine Stoner, 61, que tinha viajado de Monterey com sua companheira de 34 anos, Michelle Welsh.
Ardorosos opositores – em desvantagem – do casamento entre o mesmo sexo também realizaram manifestações com mensagens como “Homossexualismo é perversão” e “A moral errada não pode ser um direito civil”.
Don J. Grundmann, um membro do Ministério Americano para o Casamento, em San Leandro, na Califórnia, disse que acreditava que a homossexualidade era uma “patologia emocional”, que ele temia seria ensinada às crianças. “Esse é o verdadeiro objetivo”, disse o Grundmann.
Grundmann disse que apóia o casamento tradicional entre um homem e uma mulher e reafirmou que a Proposição 8 havia sido rejeitada em novembro com 52 por cento dos votos.
Às três horas de audição foram um ensaio para ambos os lados. Mas opositores da Proposição 8 também utilizaram a audiência desta quinta-feira como um momento de medição de forças e demonstrar resistência mesmo após uma eleição acirrada.
“É uma necessidade para demonstrar à comunidade que não ficaremos passíveis”, disse Kate Kendell, diretora executiva do Centro Nacional para os Direitos das Lésbicas.
Com efeito, em San Francisco, um telão foi erguido em frente da Câmara Municipal e os espectadores se espremiam para acompanhar o debate.
Alguns apoiadores da Proposição 8, entretanto, usaram e entregaram camisetas vermelhas onde se lia: “Casamento: 1 homem, 1 mulher”, em inglês e chinês.
George Papko, um rapaz de 22 anos, do conselho estudantil que está estudando para ser um bombeiro, disse que “é necessário respeitar a vontade dos californianos e proteger o casamento.”
Frank Schubert, o gerente da campanha Proteja Casamento, o principal grupo por trás da iniciativa, disse aos apoiadores que haviam realizado um dia de oração, no domingo, pedindo ao tribunal “sabedoria para compreender que o nosso apoio à Proposta 8 é para afirmar o casamento tradicional, não para denegrir gays”.
O tribunal só ouviu argumentos orais nesta quinta-feira, e tem 90 dias para chegar a uma decisão. A revisão implica uma mudança fundamental da Constituição, e necessita de aprovação de dois terços de cada casa no Legislativo ou uma convenção constitucional. Isso poderia ser muito mais difícil de atingir do que uma vitória em eleição popular.
Decisão judicial, em maio, identificado gays e lésbicas como um grupo que tinha historicamente sofrido discriminação, abriu as portas para 18.000 casais do mesmo sexo se casar antes mesmo de a Proposição8 ser votada em Novembro. Os juízes também são esperados para se pronunciarem sobre a validade destes casamentos.
The New York Times
