Caos atmosférico previsto para os próximos dias deve provocar chuva extrema, ventos fortes, risco de tornados, calor fora de época e neve de até três metros em diferentes regiões da América do Sul
A atuação de diferentes sistemas meteorológicos deve provocar um cenário de caos atmosférico em parte da América do Sul nos próximos dias. Segundo a MetSul Meteorologia, a combinação de massas de ar frio e quente, rios atmosféricos, frente quente, baixa pressão e corrente de jato em baixos níveis deve favorecer uma sequência de eventos extremos entre Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil.
A previsão indica condições para chuva intensa, temporais com granizo, ventos fortes, possibilidade de tornados, calor acima da média para o inverno e grandes volumes de neve na Cordilheira dos Andes. Conforme os meteorologistas, trata-se de um dos períodos mais ativos dos últimos anos em relação aos fenômenos severos na região.
Dois rios atmosféricos terão papel importante nesse cenário. Um deles levará umidade do Oceano Pacífico para o Chile, enquanto outro se formará entre a Bolívia e o Rio Grande do Sul. Além disso, uma frente quente, a primeira deste inverno, deve atuar entre o Uruguai e o território gaúcho antes de avançar para Santa Catarina, permanecendo quase estacionária durante vários dias.
Outro fator que reforça a instabilidade será um centro de baixa pressão sobre o Norte da Argentina, que deve intensificar o transporte de ar quente para o Sul do Brasil.
Caos atmosférico aumenta risco de chuva intensa e temporais no Sul
Ainda de acordo com a Metsul Meteorologia, o Rio Grande do Sul aparece entre as áreas com maior preocupação devido aos acumulados de chuva. A previsão aponta volumes entre 100 e 200 milímetros em diversas cidades ao longo dos próximos sete dias, podendo ultrapassar os 300 milímetros em alguns locais, principalmente nas regiões Oeste, Central e Sul do estado.
Com isso, aumentam os riscos de alagamentos, cheias de rios e inundações. Também são esperados episódios de chuva forte acompanhados por temporais em diferentes regiões do estado.
No Chile, os impactos também devem ser expressivos. A passagem de sucessivos sistemas frontais poderá provocar acumulados entre 300 e 500 milímetros, favorecendo enchentes e deslizamentos de terra. Até mesmo áreas do deserto do Atacama, conhecido pelo clima extremamente seco, podem registrar entre 100 e 150 milímetros de chuva.
Os temporais previstos para o Sul do Brasil, Uruguai e Nordeste da Argentina poderão ser acompanhados por granizo, rajadas de vento intensas e, de forma isolada, tornados e microexplosões atmosféricas.
Caos atmosférico também trará calor acima da média e neve de até três metros
Ainda de acordo com a MetSul Meteorologia, além da chuva, uma corrente de jato em baixos níveis deve transportar ar quente para o Sul do Brasil entre quinta-feira (16) e o fim de semana. A expectativa é de temperaturas até 10°C acima da média para julho, com máximas próximas ou superiores aos 30°C em diversas cidades gaúchas.
O vento Norte também deve ganhar força, com rajadas entre 40 km/h e 90 km/h em grande parte do Rio Grande do Sul. Em pontos isolados, especialmente na região de Santa Maria e em áreas de vales e encostas, as rajadas podem ultrapassar os 100 km/h, aumentando o risco de queda de árvores, destelhamentos e interrupção no fornecimento de energia elétrica.
Enquanto isso, como alerta a MetSul, na Cordilheira dos Andes, a previsão é de um dos maiores eventos de neve do período. O Serviço Meteorológico Nacional da Argentina emitiu um alerta para nevadas persistentes entre os dias 15 e 20 de julho, com possibilidade de acumulação de até três metros nas áreas mais altas de Mendoza e do sul de San Juan.
O episódio ainda poderá ser acompanhado por rajadas de vento de até 160 km/h nas regiões de montanha e pela atuação do vento Zonda em áreas da pré-cordilheira, o que pode provocar novos transtornos e exigir atenção das autoridades e da população.
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