Foi-se o tempo das Marias Fumaças, foi-se o tempo em cima de burros e cavalos, mas estamos no tempo em que o caixeiro-viajante continua firme em suas lidas, acordando antes do sol, dormindo com as estrelas.
Nós, os vendedores, somos eternos caixeiros-viajantes; alguns retornam todas as noites aos lares. Outros passam dias e dias longe de casa, da família, dos amigos, mas retornam, a um breve descanso, recomeçando a jornada.
Faltam-me palavras para definir o legado que os primeiros caixeiros-viajantes fizeram pelo mundo, pelo Brasil e pelo meu estado, o Rio Grande do Sul. Nada se compara as ferramentas e a tecnologia de hoje. Num clicar estou na empresa, num piscar, entrando num avião.
Lembro de conversas antigas das peripécias, da bravura e dos temores e pesares que os caixeiros de outrora passavam; muitos levavam a mercadoria e ao chegar nos armazéns, eram recebidos com muita alegria porque traziam noticias e soluções às necessidades e desejos de uma população. Outros perdiam tudo em enchentes e assaltos.
Hoje é muito mais fácil vender: basta gostar desta arte maravilhosa, ter recursos para se manter por um bom período, ter produtos necessários a um determinado público-alvo, dedicar-se e abrir caminho, tentando abocanhar uma fatia deste grande mercado em que vivemos; nem todos logram êxito de imediato, mas sendo um bom vendedor, logo estarão colhendo o louro da vitória.
Somos muitos, mas ainda não somos unidos. Precisamos dar as mãos para fortalecer esta valorosa classe. Podem dizer que já existem associações e sindicatos, mas a meu ver, somente querem a nossa contribuição, uma espécie de dízimo.
Por que os taxistas podem comprar o seu instrumento de trabalho (veículo) com isenção de IPI e ICMS enquanto usamos a mesma ferramenta e somos penalizados duplamente?
Sim, duplamente. Primeiro não temos os descontos que os taxistas têm; segundo pelo excesso de impostos federais que nos arranca os últimos centavos. Se faltar para a família, azar o nosso, porque o do governo está garantido. Abrir um bar e vender cachaça como uma empresa pelo Simples é possível (…)
Parabéns a todos nós pelo dia do caixeiro-viajante e que possamos cada vez mais levar produtos e serviços a todas as mesas dos brasileiros. Salve 1º de setembro.
