A atividade industrial brasileira foi fortemente afetada pela crise financeira internacional no último trimestre do ano passado, o pior nos últimos 10 anos, segundo aponta a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada pela CNI no dia 29 de janeiro.
O indicador de evolução da produção ficou em 40,8 pontos, o menor desde o primeiro trimestre de 1999 (segundo a metodologia da pesquisa, valores abaixo de 50 pontos indicam queda da atividade). Na pesquisa anterior, o indicador tinha sido de 57,8 pontos e, no mesmo período do ano anterior, fora de 59 pontos.
O emprego foi muito afetado pela queda de atividade nos últimos três meses do ano passado. O indicador de evolução do emprego na indústria caiu de 54,4 pontos no terceiro trimestre para 44 pontos no último. Ou seja, as empresas industriais não só interromperam as contratações como passaram a demitir para se ajustar aos novos níveis de atividade. A utilização da capacidade instalada também registrou queda, de quatro pontos percentuais: de 78% no terceiro trimestre de 2008 para 74% no último.
A crise influenciou também as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses, que se tornaram “amplamente desfavoráveis”, de acordo com o texto da pesquisa. Dirigentes de empresas de todos os portes e da grande maioria dos setores pesquisados disseram esperar queda na demanda de seus produtos, nas compras de matérias-primas, no número de empregados e nas suas exportações nos dois primeiros trimestres deste ano.
Segundo os técnicos da CNI, essas expectativas afetarão o investimento e a produção futuros. “Dessa forma, espera-se a continuidade da atual tendência de queda da atividade industrial”, escreveram os técnicos da CNI. O indicador de expectativa sobre a demanda caiu a 39,7 pontos no quarto trimestre de 2008, ante 53,5 pontos no trimestre anterior e 59,4 pontos no mesmo período do ano anterior. Ou seja, os empresários preveem expressivo recuo na demanda nos seis meses a seguir.
A expectativa quanto aos empregos se deteriorou no intervalo entre a pesquisa do terceiro trimestre e a presente edição, tendo caído de 49,8 pontos para 40,5 pontos. Movimento mais intenso se deu em relação às compras de matérias-primas, cujo indicador caiu de 51,1 pontos no terceiro trimestre de 2008 para 38,9 pontos no ultimo trimestre do ano passado. Esse recuo mostra que o ajuste dos estoques será forte nos próximos meses.
Os estoques de produtos finais ficaram elevados no quarto trimestre do ano passado, aponta a pesquisa Sondagem Industrial. O indicador de evolução do nível de estoques saiu de 46,8 pontos no quarto trimestre de 2007 e de 51,5 pontos no terceiro trimestre do ano passado para 53,5 pontos nos últimos três meses de 2008, o que mostra aumento de produtos finais nas prateleiras.
O indicador de estoque efetivo-planejado subiu ainda mais na atual edição da Sondagem Industrial. Saiu de 51,8 pontos na pesquisa anterior para 56,4 pontos na edição divulgada hoje.
Os setores da indústria de transformação que tiveram o menor nível de atividade no último trimestre de 2008 foram os de couros, com 27 pontos, de borracha, com 29,8 pontos, de madeira, com 35,6 pontos, e de refino de petróleo, com 36,4 pontos.
Dos 27 setores pesquisados, quatro se mantiveram acima da linha dos 50 pontos, ou seja, tiveram crescimento da atividade. O de maior nível de atividade foi o de alimentos e bebidas, que teve 69,2 pontos. Os demais foram os de limpeza e perfumaria, com 60,5 pontos, vestuário, com 52,8 pontos, e farmacêuticos, com 50,8 pontos.
A pesquisa foi elaborada a partir de 1.407 questionários, respondidos por dirigentes de empresas de todos os portes: 749 pequenas, 444 médios e 214 grandes. O período de coleta dos questionários foi de 5 a 26 deste mês.
