Giovana, a afilhada de Karine, já dizia que a madrinha adotaria uma criança chamada Gabriela antes de ambas a conhecerem.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
Depois de descobrir um câncer, Karine encontrou a felicidade na adoção. É esta história que encerra a série Amor Incondicional, uma homenagem do Portal novohamburgo.org ao Dia Mães. Veja abaixo.
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“Você não vai mais poder ter filhos pelo resto da vida”. Ao ouvir essas palavras de um médico, o mundo de Karine Ramos Barbieri Colombo, de 33 anos, desabou. Na época, ela estava tratando um câncer em um dos ovários, depois de curar-se de um tumor na região pélvica.
“Aos 26 anos, quando descobri o primeiro câncer, eu já sabia que teria dificuldades de engravidar depois da quimioterapia e foi um choque porque eu estava casada havia apenas um ano. Passado algum tempo, o tumor voltou no ovário esquerdo e em agosto de 2008 recebi a pior notícia da minha vida, pior até do que quando eu soube que estava com câncer. Chorei muito”, lembra.
Como a grande maioria das mulheres, Karine sempre sonhou em formar uma família. Mas, de uma hora para outra, viu suas chances de engravidar se perderem em meio ao tratamento doloroso ao qual teria de se submeter pela segunda vez.
“Precisei fazer muitos anos de terapia e, aos poucos, a psicóloga começou a me dizer sutilmente que eu poderia, sim, ser mãe, bastava eu querer. Nesse meio tempo comecei a ter mais contato com uma vizinha que tinha uma filha adotiva que me adorava. Eu e meu marido conversamos muito e em dezembro de 2007 decidimos entrar na fila da adoção.”
Em maio de 2010, durante o casamento de sua cunhada, Karine foi surpreendida com um comentário da afilhada, de quatro anos. “Eu estava numa fase muito difícil e a Giovana sempre foi minha companheira, nunca nos desgrudamos. Em um determinado momento ela estava brincando com um amiguinho quando ele perguntou se eu era a mãe dela. Para a minha surpresa, a Gi respondeu: ‘não, o nome da filha dela é Gabriela'”.
Durante um bom tempo, a farmacêutica ficou com isso na cabeça, sem entender de onde a menina tinha tirado essa história, já que a comadre tinha lhe garantido que Giovana não tinha nenhuma amiguinha com este nome. O tempo passou e depois veio a surpresa: havia uma criança de um ano e meio pronta para ser acolhida por uma nova família. “Sentamos, eu e meu marido, com a assistente social e quando ela me disse que a menina se chamava Maria Gabriela eu tive uma crise de choro muito grande”, relata.
Horas antes do encontro, Karine ligou para avisar a afilhada, que mais uma vez a deixou intrigada. “Liguei e falei: Gi, a madrinha vai conhecer uma menina hoje. Foi quando ela respondeu: ‘madrinha, eu já sei, é a Gabriela'”, conta emocionada.
Maria Gabriela dos Santos, como foi batizada ainda bebê, chegou ao novo lar no dia 22 de dezembro de 2010. A menina foi abandonada pela mãe em uma rua de São Paulo e acabou sendo o maior presente de Natal que Karine poderia ter ganhado. “Durante todo esse tempo de espera nunca pensei em desistir. Quando ela chegou é claro que enfrentamos algumas dificuldades, até porque ela veio um pouco agressiva, estava comigo e pedia colo para outras pessoas, que ela nem conhecia, mas a psicóloga me explicou que essa era uma forma de defesa, já que ela tinha sido abandonada uma vez e não queria que acontecesse novamente.”
A criança se adaptou muito bem à nova família e fortaleceu o amor que já existia ali, mas que estava com um espaço a ser preenchido. “Em uma semana ela já me chamava de mãe. É uma felicidade imensa, indescritível. É preciso acreditar nos sonhos porque o amor apaga qualquer sentimento ruim na vida”, ressalta.
Karine pretende contar toda a história para a filha e vai apoiá-la caso um dia queira conhecer a mãe biológica. “Se ela tiver curiosidade de ir atrás, por que não? No começo pensei várias coisas sobre a mulher que a abandonou, achava que ela não era digna de nada, mas, com o tempo, enxerguei que essa mãe talvez tenha tomado essa decisão para dar um futuro melhor à filha, que ela não poderia dar. Toda noite eu agradeço pelo o que ela fez, porque se não fosse isso a Gabizinha não estaria aqui hoje”, conclui.
FOTO: reprodução / band
