A pequena Bia vai chamar uma de mãe e a outra de mamadí. “Estamos nos identificando assim desde já”, explica Paula.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
O Dia das Mães está chegando e a época é de homenagear as mulheres que dedicam todos os seus dias às vidas dos filhos.
Pensando nisso, o Portal novohamburgo.org foi procurar exemplos especiais de amor incondicional que só uma mãe é capaz de oferecer. Encontrou quatro histórias Na página da Band, que serão publicadas entre esta terça-feira, dia 08, e sexta, 11.
A primeira é de Paula da Silva Neto Peres, Luana Correia e da pequena Beatriz. Duas mães, um pai, também homossexual. Veja abaixo.
Em 2008, quando se conheceram, a enfermeira Paula da Silva Neto Peres, de 36 anos, e a promotora de vendas Luana Correia, de 26, nem imaginavam que um dia chegariam a construir uma família. O tempo foi passando, o amor foi crescendo e elas decidiram morar juntas. Mas, como na maioria dos relacionamentos, chega uma hora que começa a faltar alguma coisa.
Foi neste momento que as duas começaram a estudar a possibilidade de conceberem uma criança. Como em toda decisão importante a ser tomada, uma avalanche de dúvidas desabou sobre a cabeça das duas: qual delas iria engravidar e quem seria o pai? “Nossa maior preocupação era para que o doador do sêmen fosse alguém conhecido, para que se um dia nosso filho quisesse saber sua história e conhecer o pai biológico, isso fosse possível”, afirma Paula.
Juntas, elas optaram por fazer o “convite” a um amigo homossexual e deixaram nas mãos dele a escolha de registrar ou não a criança. “Conversamos muito, durante muitos dias. Explicamos que ele não precisava ter medo de que mais para frente exigíssemos pensão alimentícia. Estávamos muito cientes do que queríamos e já tínhamos uma estabilidade financeira. Para a nossa felicidade ele topou e começamos a fazer os exames para saber qual das duas estava em melhores condições para engravidar”, relembra a enfermeira.
Por uma questão de saúde ficou decido que era Paula quem iria gerar a criança. “Ela tinha mais condições físicas e ginecológicas do que eu, que já não menstruava há alguns meses e estava tratando alguns cistos. Outro fator determinante foi o fato da Paula ser mais velha e, por isso, ter menos chances de engravidar depois”, conta Luana.
Com a escolha feita só foi preciso uma única tentativa de inseminação. “Tive uma gravidez muito tranquila e no dia 13 de fevereiro deste ano nasceu a Beatriz. É um amor incondicional, inexplicável. Ela é tudo para mim. Minha vida mudou totalmente porque deixei de pensar em mim para pensar nela. Deixo de comer, de tomar banho, de dormir, porque ela está sempre em primeiro plano”, derrete-se Paula.
Luana, apesar de não ter sentido os sintomas da gravidez, participou de todo o processo e fez questão de assistir ao parto, momento que não encontra palavras para descrever. “Posso dizer que é um sonho realizado. Eu já tinha ouvido falar, mas não tinha a menor noção. Se antes tínhamos nossas prioridades, hoje em dia a prioridade é toda da Bia. Com a chegada dela amadureci bastante e pude entender tudo o que minha mãe fez por mim até hoje, o tanto que ela se sacrificou. Minha mãe representa tudo o que tenho, então é isso que eu quero passar para a nossa filha”, ressalta Luana.
Assim que a criança começar a entender, o casal pretende contar toda a história. Logo de início, Beatriz aprenderá que tem duas mães. “Quero que a Bia respeite e ame a Luana da mesma forma que me amar e respeitar. Ela vai me chamar de mãe e a Lu de mamadí. Estamos nos identificando assim desde já”, explica Paula.
Mesmo com todo o preconceito que sofreram – primeiro ao decidirem morar juntas, depois ao anunciarem que teriam um filho, o que muitos consideraram uma verdadeira “loucura” – elas garantem que essa foi a decisão mais acertada que fizeram até hoje e enfatizam que a única coisa que a pequena Beatriz necessita é de muito amor e carinho. E isso é o que as mamães têm de sobra.
FOTO: reprodução / band
