A frase é título de música do compositor Jorge Ben Jor que faz alusão aos primeiros habitantes do Brasil e que agora são lembrados no dia 19 de abril. Para especialista, questão indígena ainda é tratada como um problema pelo governo brasileiro.
Da Redação – redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
Na música de Jorde Ben Jor, “Todo dia era dia de índio”, o compositor enaltece o povo sofreu com a colonização e evolução sócio-econômica. Vários grupos étnicos compõem o povo indígena do Brasil, que já habitavam estas terras antes da chegada dos europeus no ano de 1500.
Com a colonização e exploração das terras durante séculos, algumas tribos foram exterminadas e em outras, sua população foi consistentemente diminuída. Atualmente estima-se que vivam no país cerca de 225 povos indígenas, dos mais de mil que acredita-se que existiam.
“Antes que o homem aqui chegasse
Às Terras Brasileiras
Eram habitadas e amadas
Por mais de 3 milhões de índios
Proprietários felizes
Da Terra Brasilis
Pois todo dia era dia de índio”
(trecho da música ‘Todo dia é dia de índio’ – Jorge BenJor)
Hoje, o dia do Índio é 19 de abril. A data em comemoração ao Índio no Brasil foi decretada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas. O dia 19 de abril foi escolhido por ter sido a data onde representantes indígenas participaram de um encontro no México no ano de 1940, quando foi criado o Instituto Indigenista Interamericano. Em 1967 foi criada a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que passou a definir políticas de proteção às comunidades indígenas brasileiras.
Questão indígena ainda é tratada
como problema, diz especialista
O vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Saulo Feitosa, afirma que o governo brasileiro ainda trata a questão indígena como problema. Segundo ele, até a década de 70, as políticas indigenistas eram quase inexistentes. Nos últimos anos, o governo tem reconhecido a importância da implementação de ações direcionadas aos povos indígenas.
“A questão da política indigenista é um problema desde a construção do Estado brasileiro. Isso já dificulta a elaboração e a construção dessas políticas”, destaca Feitosa, acrescentando que mesmo após muitas mudanças, a sociedade ainda tem uma visão colonialista.
Para o vice-presidente da Cimi, o governo ainda não desenvolve políticas indigenistas da forma correta, pois em vez de investir na coordenação dessas ações, acaba pulverizando-as entre os ministérios. “Não há uma coordenação onde o governo possa pensar os povos indígenas de maneira integral. Cada ministério faz uma política específica para os povos indígenas. Atuando de maneira fragmentada, há dispersão de investimentos e dos recursos públicos”, afirma.
Para ele, o governo da presidente Dilma Rousseff ainda não apresentou novidades na área indigenista. “Ainda não sabemos o que ela [a presidenta] pensa e como vai lidar com os interesses políticos”.
O vice-presidente do Cimi também criticou o processo de mudanças na estrutura da Fundação Nacional do Índio (Funai). De acordo com ele, a reestruturação ocorreu de “maneira autoritária, sem qualquer consulta aos povos indígenas.”
O presidente da Funai, Márcio Meira, descorda de Feitosa e para ele, a presidente Dilma Rousseff representa a continuidade do projeto de governo que foi iniciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Funai, além de coordenar as ações de demarcação de terras indígenas, também desenvolve ações de promoção social voltadas para a saúde, educação e até para o cadastramento de índios no sistema da Previdência Social.
De acordo com Meira, no ano passado, o primeiro concurso da Funai em mais de 20 anos contratou 400 funcionários para atuar diretamente com os povos indígenas nas coordenações regionais da instituição.
Informações Funai, Agência Brasil e letra música de Jorge Bem Jor
Fotos: reprodução Funai


