Grupo do segmento gráfico e de papéis que gera 130 empregos diretos no município tem propostas de outras prefeituras do Estado e até de São Paulo.
Novo Hamburgo pode perder até o final de abril 130 empregos diretos caso a Prefeitura não atenda reivindicação do Grupo Automação. Foi esse o prazo que os vereadores Leonardo Hoff (PP), Ricardo Ritter (PDT) e Jesus Martins (PTB) ouviram do diretor corporativo Roberto Jaeger em reunião na última segunda-feira, dia 13. O grupo formado por três empresas do segmento gráfico e de papéis ameaça deixar o município por falta de incentivos fiscais.
Às vésperas de completar dez anos de atuação na economia hamburguense, o Grupo Automação pode transferir-se para outras cidades do Rio Grande do Sul ou até para São Paulo por não estar incluído no Programa de Incentivos para o Desenvolvimento Sócio-econômico de Novo Hamburgo – PID. De acordo com Roberto Jaeger, Eldorado do Sul, Cachoeira do Sul e São Paulo já demonstraram interesse em ser sede das empresas.
Grupo Automação
Fundado em junho de 1999, o Grupo Automação tornou-se pioneiro no Vale do Sinos na fabricação de impressos personalizados para o segmento de contínuos e cupons fiscais, rótulos e etiquetas. Roberto Jaeger explica que atualmente emprega mais de 130 colaboradores em suas três unidades – Automação Indústria Gráfica; Automação Rótulos e Etiquetas e Autopel – Indústria e Comércio de Papel. Segundo ele, 80% dessa mão-de-obra é local.
Saiba mais sobre o Grupo Automação
Jaeger guiou visita técnica dos vereadores pelas instalações de duas plantas do grupo. Uma delas, o parque gráfico com mais de 5.000 m². Em relação à produção e a geração de divisas, o diretor garante que, no início, 75% era comercializada no Vale do Sinos, ao passo que, hoje, somente 25% da produção é destinada ao mercado da região. “Atendemos, agora, toda a região Sul e Sudeste”, completa. Ele destaca ainda a diversificação da economia, na medida em que, na sua opinião, Novo Hamburgo não pode mais ficar refém do segmento coureiro-calçadista.
PID
Roberto defendeu que PID apóie empresários da região. “Eu não estou pedindo nada de graça. Só quero que a Prefeitura me dê condições para que possamos lutar de igual para igual com outros concorrentes que vêm de dentro e de fora do Estado’, argumenta. “Eles ganham incentivos em suas cidades de origem e isso se reflete no preço do produto final”. O diretor informou que uma das unidades do Grupo recebeu investimentos provenientes do PID, mas que cessou no final do ano passado.
A intenção agora é pleitear a adesão da Autopel ao programa de incentivos. Em 2008, a empresa havia protocolado o pedido, mas não teve desfecho favorável. Roberto Jaeger já esteve com o prefeito Tarcísio Zimmermann (PT) e com o secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Carlos Finck, e ainda não teve retorno. O prazo inicial para que o Grupo decidisse seu futuro era 15 de março, conforme o diretor. “Vamos esperar até o final do mês de abril. Depois, teremos de agir. Tenho propostas para transferir. Sou natural daqui, gosto de Novo Hamburgo e não pretendo ir embora. Mas preciso de incentivos para que possa ganhar em competitividade.”
Caminho é sensibilizar Executivo, diz Hoff
O vereador Leonardo Hoff, vice-presidente do Legislativo e presidente da Comissão de Competitividade, Economia, Finanças, Orçamento e Planejamento, acredita que debates como o travado durante a visita ao Grupo Automação é um dos fins do parlamento. “Devemos estar presentes nos lugares de interesse da sociedade, e essa questão envolve 130 pessoas. Além disso, é uma empresa com tecnologia diferenciada e que agrega valor aos produtos. É importante que Novo Hamburgo continue com o Grupo aqui”.
O progressista enfatiza ainda questões como a geração de impostos e a circulação de recursos vindo de outros municípios que compram produtos da empresa. “Temos de sensibilizar a Prefeitura para esse caso”, finaliza.
Informações da Imprensa da Câmara Municipal de Novo Hamburgo
