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Ciência – Tecnologia da informação ainda não chega aos mais pobres

EditorPor Editor3 de abril de 20097 Mins Leitura
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O crescimento do setor de tecnologia da informação e comunicação no país ainda não alcançou as camadas mais populares do país. As ferramentas de informática e de telecomunicações, principais segmentos do setor e que possibilitam a inclusão digital, só estão disponíveis para a parcela mais rica dos brasileiros.

A avaliação é de uma das coordenadoras do Comitê de Democratização da Informática (CDI) Dulce Ângela Quintanilha. Para ela, apesar do barateamento de computadores e de telefones móveis, nos últimos anos, os custos de ferramentas digitais ainda são altos e não há infra-estrutura para instalação de equipamentos em cidades do interior do país.

“É inegável que, com o avanço da tecnologia e com as demandas que esse cenário trouxe, o custo diminuiu. No entanto, acessar essa tecnologia não garante de fato a inclusão digital, boa parte da população ainda não se apropriou dessa tecnologia”, afirmou.

Segundo Dulce, as experiências do CDI, organização não-governamental que trabalha há 14 anos com inclusão digital, mostram que o acesso às tecnologias da informação dependem também de cursos para o uso das ferramentas digitais e produção de conhecimento. “Inclusão digital não é apenas instalar um computador”, destacou.

A coordenadora defende políticas públicas para o setor, além de parcerias com a iniciativa privada e ONGs. “Caso o governo crie e instale infra-estrutura, o que não seria um mercado natural para a iniciativa privada [empresa de telecomunicações] amanhã poderia ser”, disse.

“Hoje é uma fortuna instalar equipamentos em locais mais remotos do país, cerca de R$ 20 mil uma antena via satélite mais não sei quantos mil por mês, de conexão”, completou a coordenadora.

Importações

O Brasil importou mais produtos do setor de tecnologia da informação e comunicação (TIC) do que exportou entre os anos de 2003 e 2006. Apesar de o saldo comercial do país ter crescido no período, com recorde histórico de U$ 41,5 bilhões, em 2006, a categoria não se destacou no cenário econômico nacional.

A informação consta do estudo O Setor de Tecnologia da Informação e Comunicação no Brasil, divulgado nesta sexta-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a pesquisa, as importações do setor tiveram um crescimento contínuo no período estudado. Ao final de 2006, correspondiam a 14,3% do total do comércio exterior do país. Por outro lado, as exportações se mantiveram estáveis, somando 3,2%.

No setor de TIC, apenas a categoria de equipamentos de telecomunicações teve saldo positivo. As demais provocaram impacto negativo, com destaque para componentes eletrônicos, usados na fabricação de televisores e computadores.

De acordo com o pesquisador do IBGE Roberto Saldanha, o Brasil ainda não detém tecnologia de ponta como a de muitos produtos importados. Para abastecer o mercado interno, ele explica que as empresas não têm outra alternativa.

“O país acaba importando esses componentes de ponta. São componentes fabricados com uma tecnologia que o Brasil não domina ou que é patenteada, como a de muitos microchips”, citou.

Telefonia móvel

As inovações tecnológicas nos aparelhos de telefone celular como câmeras digitais e rádio têm contribuído para mudanças no perfil dos serviços de telecomunicações no país. É que cada vez mais, os telefones móveis ocupam o lugar dos fixos.

Essa mudança não é uma novidade para o consumidor, mas, pela primeira vez, consta de uma pesquisa, divulgou também o estudo O Setor de Tecnologia da Informação e Comunicação no Brasil.

Embora a participação dos serviços de telecomunicações por fio seja predominante na composição da receita do segmento, o estudo mostra que entre 2003 e 2006 a participação caiu de 60,3% para 50,7%, enquanto a dos serviços sem fio avançou de 34,1% para 43,2%. A oferta de produtos mais modernos, com várias funções, contribuiu para a mudança. “Os ganhos da telefonia celular são decorrentes da oferta de produtos e serviços mais sofisticados em termos tecnológicos, com destaque para os aparelhos com câmeras, MP3 e acesso à internet. Essas ferramentas acompanham a tendência de fornecer serviços diversificados em um único aparelho, um facilitador para os usuários”, diz o documento da pesquisa.

O estudo destaca também que, desde 2003, o ramo mais lucrativo das telecomunicações foi o de ligações de fixo para fixo, que lideram a composição da atividade. Nesse segemnto, as chamadas interurbanas foram as mais lucrativas, correspondendo a 43,4% da receita das empresas.

Por outro lado, houve uma mudança no serviço de telefonia. Muitos usuários deixaram de fazer ligações internacionais a partir do telefone fixo. Com isso, a participação desse serviço na receita das teles caiu de 8,9% para 5,1%, entre 2003 e 2006. No período, também chama atenção o aumento das chamadas feitas de telefones públicos.

De acordo com o pesquisador do IBGE Roberto Saldanha, a perda nas chamadas internacionais pode decorrer da preferência dos usuários por serviços gratuitos de comunicação pela internet, como o Skype. Em relação às chamadas de orelhão, ele lembrou que um decreto do governo federal determina a ampliação do serviço.

“Com o programa de universalização da telefonia, as empresas foram obrigadas a instalar telefone naqueles municípios pequenos, regiões remotas, que não eram considerados o filé mignon da coisa”, disse Saldanha.

No período estudado, os serviços de internet respondiam por uma pequena parcela da receita das teles (2%) e a participação dos serviços por satélite era de 1,5%.

Segundo o texto, o fornecimento de conexão para internet por telefonia fixa se destacava “como um setor em expansão”, com aumento dos ganhos de participação de 2,9% para 5,6%, nos quatro anos.

As atividades telecomunicações estão entre as mais importantes no setor de tecnologias da informação e comunicação, respondendo por 43,1% da receita líquida. Elas detêm alto valor agregado, devido à complexidade da tecnologia empregada, que requer alta qualificação.

Crescimento

Embora tenha perdido espaço no conjunto da economia, entre 2003 e 2006, o setor de tecnologia da informação cresceu no período. Avançou no faturamento, no número de empresas e de empregados, segundo dados do estudo do IBGE.

Segundo a pesquisa, o número de empresas do setor cresceu 18,3%, o contingente de trabalhadores avançou 40,7%, somando 673 mil pessoas, e o faturamento passou de R$ 139 bilhões para R$ 205 bilhões, em 2006. No entanto, as tecnologias da informação e comunicação (TIC) perderam participação na economia com recuo de 8,9% para 8,3%. O crescimento nominal de 37,6% ficou abaixo da média de outros setores (47,6%).

A redução da participação não significa recessão do setor, afirma o pesquisador do IBGE Roberto Saldanha. Segundo ele, após as privatizações, entre 1998 e 2002, a procura por produtos e serviços de telecomunicações, um dos principais segmentos do setor de TIC, se estabilizou, embora tenha condições de crescer, com a expansão da tecnologia de internet banda larga, por exemplo.

“As telecomunicações experimentaram expansão acelerada no período pós-privatização, com a explosão da internet e da forte demanda pela telefonia celular. A tendência agora é crescer menos, em relação a outros setores econômicos.”

Com um percentual inferior, mas alto valor agregado, as telecomunicações (3,7%) estão atrás da informática (90%), na composição do setor de serviços, em tecnologia da informação. Os segmentos concentram quase todo o valor agregado do setor de serviços, além dos postos de trabalho. As indústrias respondem por 3%, e o comércio por 1,5%.

Sobre a concentração da produção no país, o estudo do IBGE mostra que no Sudeste está a maior parte do empregados e das empresas responsáveis pelos produtos de maior valor agregado. Em termos de atividade industrial, a Região Norte aparece em seguida, devidos aos eletrônicos produzidos em Manaus (AM).

O estudo também mostrou que a remuneração média no setor de TIC se mostrou mais atrativa que os demais ramos da economia. No período pesquisado, o salário médio era de R$ 2.025 mil contra R$ 937 das atividades industrial, comercial e de serviços. O destaque é a renda média do serviço de telecomunicações, de R$ 3.315 mil.

Agência Brasil

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