
A produção industrial brasileira subiu 1,8% em fevereiro deste ano, depois de ter apresentado alta de 2,1% no mês anterior. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado foi sustentado pelo crescimento verificado em 16 dos 27 ramos pesquisados.
Em contrapartida, na comparação com igual período do ano passado, o setor registra queda de 17%, influenciada pelo recuo em 23 ramos pesquisados. Com esse resultado, o setor fabril acumula retração de 17,2% no primeiro bimestre de 2009, em relação a igual período do ano anterior.
Em fevereiro, o melhor desempenho foi observado em veículos automotores (8,7%). De acordo com o levantamento, esse movimento reflete a retomada na produção de automóveis no país no período. Desde janeiro, o setor acumula alta de 52,2%, após as paralisações de trabalhadores nos meses de novembro e dezembro.
Também houve aumento na produção de produtos químicos (8,0%), edição e impressão (10,3%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (8,7%) e alimentos (1,4%).
Por outro lado, as principais pressões negativas partiram das indústrias farmacêutica (-6,9%), de máquinas e equipamentos (-3,2%) e de equipamentos de transporte (-4,2%).
Segundo o levantamento, o avanço no primeiro bimestre deste ano ainda não foi suficiente para que o setor fabril alcançasse o patamar produtivo observado no final de 2008.
Já na comparação com o mesmo período de 2008, as atividades que tiveram as reduções mais significativas foram: veículos automotores (-29,8%), máquinas e equipamentos (-32,2%), aparelhos eletrônicos de comunicações (-44,4%) e indústrias extrativas (-18,8%).
O resultado da produção industrial em fevereiro, indica um movimento de recuperação do setor, que, desde o agravamento da crise mundial, em setembro do ano passado, vinha sofrendo fortes retrações. A avaliação é do técnico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Sílvio Sales. Segundo ele, no entanto, a reação verificada na passagem de um mês para outro é insuficiente para anular as quedas anteriores.
O resultado de fevereiro, é o segundo consecutivo com taxa positiva. O índice acumulado nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro teve queda de 1%, a primeira desde setembro de 2002.
“Sem dúvida o resultado de fevereiro representa um dado positivo que aponta o segundo mês de recuperação, mas o fato é que entre os meses de setembro e dezembro de 2008 o setor recuou cerca de 20%. Dali pra diante, reagiu em aproximadamente 4%. Portanto, o saldo que temos em fevereiro desde setembro, ou seja, desde o momento anterior a toda essa turbulência internacional que gerou as reduções, é de 16%. Não é pouca coisa, mas é [preciso lembrar] que se trata de uma onda mundial”, observou.
O técnico do IBGE destacou, ainda, como fator positivo revelado pelos dados de fevereiro que os setores que mais contribuíram para a alta no mês foram os que tinham sido atingidos de maneira mais forte pela crise. É o caso da indústria automobilística, principal destaque em fevereiro, que teve expansão de 8,7% em relação a janeiro.
“Esse é um dado importante porque o desempenho desse setor puxa a produção de outros, como pneus, tintas, aço etc”, acrescentou Sales.
Agência Brasil
