
No Dia Mundial da Água, 22 de março, não faltam discursos sobre a preocupação com a água, mas o necessário é lembrar-se disto em todos os dias do ano. Estudos lembram o futuro promissor do Brasil por suas riquezas naturais, mas o país ainda mantém o recorde de desperdício de água
O Brasil deve aproveitar o momento de escassez de água no mundo, alerta o coordenador do Laboratório de Hidrologia da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), professor Paulo Canedo. Ele acrescenta que o país possui uma vantagem para a produção de alimentos que poucos países no mundo têm: sol forte, terreno fértil e água.
“Isso faz com que o Brasil seja capaz de ser um grande produtor de alimentos para o resto do mundo. E ainda lhe sobra espaço para produzir biodiesel. Essa característica torna o Brasil um país ímpar, com grandes oportunidades”, afirmou. Para ele, o aspecto negativo a ser superado é que ainda há muito desperdício no país, além da poluição.
Canedo acredita que nos próximos 15 anos deve haver uma mudança de comportamento, fazendo com que o país use corretamente seus recursos naturais e possa suprir de alimentos os mercados interno e externo e ainda produzir biodiesel. Em comparação às iniciativas que vêm sendo promovidas por outros países em relação aos cuidados na gestão da água, o professor afirmou que o Brasil se alinha às demais nações em desenvolvimento, mas está muito abaixo dos países desenvolvidos. “A performance do Brasil não é boa”, avaliou.
BRASÍLIA: recordista mundial em desperdício de água
O Lago Sul, bairro nobre do Distrito Federal do Brasil é o local que mais desperdiça água no mundo. O consumo médio diário por habitante é de mil litros. Enquanto isso, em países da Àfrica, como a Namíbia, por exemplo, as pessoas têm menos de um litro de água por dia. As informações são do engenheiro Paulo Costa, especialista em programas de racionalização do uso de água.
Ainda de acordo com Costa, da consultoria paulista H2C, que já desenvolveu mais mil projetos em empresas, hospitais e condomínios comerciais e residenciais, o consumo diário médio de água por pessoa nos grandes centros urbanos brasileiros oscila entre 250 a 400 litros do recurso natural. O volume é mais que o dobro do considerado ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU) fixado em 110 litros/dia.
Apenas cinco países atingem o limite estabelecido pela ONU: Alemanha, Bélgica, República Tcheca, Hungria e Portugal. De acordo com Costa, isto é devido a tecnologia da informação, educação ambiental nas escolas e reeducação da população adulta. Os brasileiros precisam adotar nova postura diante do consumo de água.
Para reduzir o desperdício, o especialista lembrou uma série de dicas, como os banhos mais curtos, uma vez que o chuveiro responde por 46% do consumo de água dentro de uma casa. Ele recomendou também que, ao fazer a limpeza de utensílios de cozinha, deve-se usar pouca água e muito sabão e bucha, lembrando que as torneiras e misturadores respondem por 14% do consumo domiciliar. Outra dica é escovar os dentes com a torneira fechada.“São cuidados básicos em relação ao que nós já temos quanto ao consumo”.
Costa criticou a preocupação geral da sociedade e dos governos com a ampliação da produção de água, em vez de buscar reduzir o consumo. “O que tínhamos de água disponível em 1950 é o mesmo que temos hoje, mas temos alguns bilhões a mais de seres humanos. A água é a mesma, precisamos é controlar a forma como usá-la”, defendeu.
Dados da ONU apontam que mais de 4 bilhões de pessoas vão ter problemas com escassez de água em 2050. Segundo o engenheiro, existe tecnologia de sobra no Brasil para gerir a demanda da água, que é um bem finito, não renovável e tem um custo elevado de tratamento. “É a atitude que nos falta”, afirmou.
Fonte: Agência Brasil
