
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, usou os dados em New York em rodada de oportunidades de negócios para atrair investimentos ao país.
O superávit comercial (saldo positivo das exportações menos as importações) somou US$ 138 milhões na segunda semana de março. A informação foi divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
No mês, o superávit comercial é de US$ 422 milhões e no acumulado do ano está em US$ 1,665 bilhão, 22,2% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.
Na segunda semana deste mês, as exportações somaram US$ 2,515 bilhões e as importações, US$ 2,377 bilhões. No mês, as vendas do Brasil ao exterior estão em US$ 5,197 bilhões e as importações em US$ 4,775 bilhões. No acumulado do ano, as exportações totalizam US$ 24,567 bilhões e as importações estão em US$ 22,902 bilhões.
Desde o início da crise econômica internacional, o Banco Central vendeu cerca de U$ 14, 5 bilhões de reservas no mercado a vista. Mesmo assim, continua com as reservas internacionais em U$ 199,9 bilhões, de acordo com a posição do último dia 12. A informação foi dada pelo presidente do Banco Central, Henrique Meireilles, durante palestra para cerca de 200 empresários reunidos no hotel The Plaza, em Nova York.
Henrique Meirelles disse que nas demais operações com compromissos de recompra foram injetados U$ 26 bilhões das reservas de setembro para cá. Para aumentar a liquidez em moeda estrangeira foram emprestados recursos aos bancos para repasse às empresas. O país também tomou medidas para financiar empresas que tinham dívidas no exterior e sofriam com falta de crédito, que, segundo ele, recupera-se gradualmente.
Meirelles informou aos empresários que média mensal de financiamento de exportações tem volume similar ao ano anterior (excluída a sazonalidade).
Ele disse que o Brasil entrou melhor que outros países no ápice da crise por causa da boa quantidade de reservas e fortalecimento prévio do mercado interno (41 milhões de pessoas entrando no mercado de consumo).
O presidente do BC abriu o seminário sobre oportunidades de negócios no Brasil, que encerra a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos. Lula vai falar aos empresários na hora do almoço, por volta de 13h em Brasília. O próximo a falar é o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Mais de 2 mil empresas exportadoras e importadoras deixaram o comércio exterior brasileiro no mês de janeiro. A informação é da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que chegou a esse número com base nos dados da balança comercial divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O número chamou a atenção da associação. No caso das exportadoras, a quantidade de empresas que atuam no setor caiu de 9.332, em janeiro de 2008, para 8.223 no primeiro mês deste ano, uma diferença de 1.109. O número é superior ao total de empresas que deixaram o mercado de exportação em todo o ano passado, 481.
No caso das empresas importadoras, a redução na comparação entre janeiro deste ano e o mesmo mês de 2008 foi de 1.041. Em todo ano passado, houve um aumento de 4.214 empresas importadoras. “É um cenário completamente diferente neste ano”, afirmou o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.
Segundo Castro, a situação é um reflexo da crise financeira internacional, que tem levado à redução do crescimento econômico no mundo. Segundo ele, o primeiro setor a sentir os efeitos da crise no Brasil foi o exportador, que enfrenta redução da demanda pelos seus produtos. “Se não tem comprador, ou a empresa entra em falência ou reduz a produção”.
Para o vice-presidente da associação, as medidas do Banco Central para financiar as exportações ajudaram, mas não resolvem o problema da redução da demanda. “Ajudou o que já está fechado [de vendas]. Mas se a empresa não consegue vender, o crédito não adianta”. De acordo com Castro, o setor exportador é o que mais está demitindo por conta da crise e não há perspectiva de melhora por enquanto.
No caso da redução das importações, o motivo é o aumento da cotação do dólar, o que deixa os produtos mais caros para o consumidor final. “O custo está mais elevado e ainda há redução na demanda no mercado interno, em um momento de risco de desemprego”, acrescentou Castro. O vice-presidente acrescentou que o menor crescimento econômico do país também deve reduzir a importação de produtos.
Em janeiro deste ano, a balança comercial (exportações e importações) registrou déficit de US$ 524 milhões, o primeiro resultado mensal negativo desde março de 2001. Mas, em fevereiro, houve recuperação com um saldo positivo de US$ 1,767 bilhão.
Agência Brasil
