
Crise chega tardiamente ao país, revelam dados econômicos divulgados nesta sexta-feira por Ibge e FGV. Lula aposta no PAC para manter empregos.
A atividade na indústria paulista deve apresentar um aumento de 5%, em fevereiro, sobre janeiro, segundo o Sinalizador da Produção Industrial (SPI), calculado em parceria pela Fundação Getulio Vargas e a AES Eletropaulo. Em janeiro, a previsão era de crescimento de 5,7% e acabou-se confirmado ampliação de 2,2%. Na comparação com o mesmo mês de 2008, a estimativa é de queda de 12,8%.
Apesar disso, espera-se uma recuperação, porque em janeiro sobre o mesmo período do ano passado o levantamento apurou a chance de uma queda maior (-18%). Na avaliação do economista e coordenador da pesquisa, Paulo Picchetti, “o que está acontecendo é uma recuperação depois um tombo grande em dezembro[ -13,5%]”. Além disso, ele destacou que os resultados do bimestre mostram que de fato está longe dos “patamares anteriores à crise [financeira internacional].
Quanto à queda de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) – conjunto de riquezas geradas no país –, no último trimestre, o economista comentou que esse resultado já incorpora as variações medidas pelo SPI. De acordo com Picchetti, ainda não é possível traçar um cenário para os próximos meses.“Por enquanto não dá para realizar interpretações quanto à chance de o setor voltar a apresentar o ritmo de crescimento que tinha antes do início da crise [financeira internacional] ocorrida no final do ano passado”, explicou ele.
Essa mesma análise foi feita por ele quando questionado sobre casos de redução atividade anunciados por algumas empresas. Exemplo disso, é a Indústria Metalúrgica Cameron. Segundo nota do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a empresa que tem sede nos Estados Unidos, anunciou, no último dia 11, que vai encerrar a produção da unidade de Jacaré, em 15 de maio próximo. Porém, conforme o comunicado emitido ainda na quarta-feira, 37 dos 93 empregados foram demitidos.
A crise econômica mundial atingiu o emprego na indústria brasileira com “uma certa defasagem” em relação aos reflexos que teve sobre a atividade industrial. Avaliou a economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Denise Cordovil.
Pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 12, pelo instituto mostra que o emprego industrial teve a maior queda na comparação com o mesmo mês do ano anterior e chegou ao menor nível da séria histórica, iniciada em 2001. O recuo foi de 2,5%. A taxa mais baixa foi de 2,1%, registrada em fevereiro de 2002. Na comparação com o mês anterior, é o quarto recuo consecutivo (1,3%).
“A atividade industrial vinha dando sinais de desaquecimento em outubro. A redução forte do emprego começou ao final do ano, em novembro, dezembro e em janeiro, quando os indicadores foram mais negativos”, afirmou.
Embora a atividade industrial dê sinais de arrefecimento desde o ano 2008, aparece agora, de forma acentuada, no emprego, afirma a economista. “Em relação ao ambiente econômico, o emprego responde com uma certa defasagem”. Denise explica que, antes de demitir ou contratar, os empregadores avaliam as condições econômicas, a demanda e o nível dos estoques, por exemplo.
“Os empresários observam as condições para produzir. Empregar e demitir pessoas têm custos. Portanto, antes de demitir, em um cenário negativo, as empresas reduzem a jornada de trabalho, o pagamento de horas extras. A demissão vem depois.”
De acordo com IBGE, o índice que mede horas pagas ao trabalhador também ficou negativo pela quarta vez consecutiva. O recuo foi verificado tanto na comparação com o mês anterior quanto na relação com o ano anterior. A folha de pagamento também teve queda na comparação com dezembro do ano passado, de 1,2%.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 12, que a crise financeira internacional deveria ter chegado no Brasil com “muito menos intensidade” e voltou a pedir aos empresários que contratem operários para trabalhar em dois ou três turnos de trabalho.
“Essa crise era para ter chegado no Brasil com muito menos intensidade. O Brasil está sendo o último país a ser afetado pela crise e tenho certeza que seremos o primeiro país a sair dessa crise”, disse o presidente, ao analisar os dados econômicos divulgados neste dia pela FGV e Ibge.
Sobre a contratação de obras em até três turnos, Lula explicou que a medida gera mais empregos e assim contribui para amenizar os efeitos da crise. Lula se referia diretamente as empresas contratadas pelo governo para as obras do PAC. Ele lançou a pedra fundamental da Usina de Jirau, às margens do Rio Madeira, a aproximadamente 120 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia, na manhã desta quinta-feira.
“Estou convencido de que se a gente fizer as coisas acontecerem trabalhando em três turnos em todas as obras de rodovias, hidrelétricas, ferrovias, projetos habitacionais, onde for possível ter três turnos para contratar três trabalhadores, tenho certeza que essa crise vai voltar rapidinho para onde ela nasceu e vai deixar o Brasil em paz”, comentou o presidente.
Agência Brasil
