
O Produto Interno Bruto (PIB) referente ao quarto trimestre de 2008 diminuiu 3,6% em relação ao terceiro trimestre do mesmo ano, o maior recuo da séria histórica que começou em 1996.
Em relação ao ano anterior, no entanto, o crescimento foi de 5,1%, chegando a R$ 2,9 trilhões. O PIB per capita de 2008 cresceu 4% em relação ao do ano anterior, ficando R$ 15,24 mil. As informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulga os dados completos neste momento.
O investimento de 2008 chegou a 19%, o mais alto da série, que começou em 2000. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta terça-feira, 10, que o resultado de queda de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) registrado no quarto trimestre de 2008 era esperado devido à crise financeira internacional. Porém, segundo a ministra, as expectativas para este ano são positivas.
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“Consideramos que o primeiro semestre de 2009 seja um pouco melhor. Estamos projetando para o segundo semestre uma melhora no crescimento”, disse. Segundo ela, uma contribuição para essa recuperação será a implantação do programa habitacional do governo para pessoas com renda até três salários mínimos.
O Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas pelo país, alcançou R$ 2,9 trilhões a valores correntes, sendo R$ 2,4 trilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e R$ 0,5 trilhão aos impostos sobre os produtos, segundo divulgou hoje (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao comentar a queda de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre do ano passado, em relação trimestre anterior, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse o Brasil está em recessão técnica e pediu que o governo tome providências imediatas para o enfrentamento da crise financeira internacional.
“O Brasil está rigorosamente em recessão técnica”, disse. “A crise existe e tem de ser encarada com responsabilidade”, acrescentou. Ele também pediu a criação de um gabinete de enfrentamento da crise, nos mesmos moldes do criado no governo Fernando Henrique Cardoso para enfrentar o apagão. “Mesmo que isso signifique perda de prestígio [para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva]”, afirmou.
O líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), atribuiu a queda do PIB a três fatores: crise internacional, redução do consumo das famílias e queda das taxas de investimento. “E as medidas tomadas não estão surtindo o menor efeito. Não dá para enfrentar a crise apenas com discurso do presidente”, disse. “Ninguém está sabendo prever até onde vai a crise. Nem eles [os economistas]”, completou
Levando em consideração , segundo o IBGE, o valor adicionado das atividades econômicas, a agropecuária registrou R$ 163,5 bilhões, a indústria R$ 682,5 bilhões e os serviços R$ 1,595 trilhão.
Entre os componentes da demanda, a despesa de consumo das famílias totalizou R$ 1.753,4 bilhão, a despesa de consumo da administração pública R$ 584,4 bilhões e a formação bruta de capital fixo (FBCF) chegou a R$ 548,8 bilhões. A balança de bens e serviços ficou superavitária em R$ 4,8 bilhões e a variação de estoques foi negativas em R$ 1,7 bilhão.
O consumo das famílias registrou em 2008 alta de 5,4%, totalizando R$ 1,75 trilhão. O crescimento se dá pelo quinto ano consecutivo, de acordo com informações divulgadas neste momento pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, em relação ao trimestre anterior houve queda de 2% – primeira desde o segundo trimestre de 2003 (-1,2%).
As despesas de consumo da Administração Pública aumentaram 5,6%, representando R$ 584, 4 bilhões, única atividade que não apresentou desaceleração no quarto trimestre de 2008.
Agência Brasil
