Misticismo, discos voadores, cidades perdidas e aventureiros desaparecidos fazem a fama do lugar

O Pantanal começa das serras ou morrarias que circundam suas cabeceiras, onde nascem os rios que o formam. Em Chapada dos Guimarães, distante 60 km de Cuiabá, a Serra do Roncador guarda mistérios em suas entranhas e nos ares, e tem um dos maiores potenciais do turismo místico do continente.
O aventureiro e coronel do exército inglês Percy Harrison Fawcett se embrenhou com o filho Jack e o amigo Raleigh Rimmell pelo Roncador e desde então nunca mais foi visto. Fawcett evaporou-se em 1925, renascendo nas telas pela genialidade de Steven Spielberg e George Lucas na criação do personagem Indiana Jones vivido pelo ator Harrison Ford. Claro que o oficial sumiu bem longe de Cuiabá, numa época remota, mas quem garante que a Civilização do Terceiro Milênio que viveria sob Roncador, não estaria por trás desse mistério?
Operadores de turismo facilmente convenceriam clientes a um tour na Serra onde sumiram as pegadas de Fawcett. Argumentos para um roteiro convincente não faltam. A evaporação do coronel mexe com a curiosidade popular na terra de Sir Stanley Matthews, Gordon Banks, Bob Moore e David Beckham, e seria uma opção carregada de magia, como os inesquecíveis dribles de Garrincha, os lançamentos em profundidade de Gérson, a folha seca de Didi e a categoria de Nilton Santos.
O alto do Roncador, conhecido por Serra da Chapada – por sua proximidade com a cidade homônima – além de nascente de afluentes do rio Cuiabá, mexeu com mente do monge budista Gustavo Pinto, que preside a Associação Terra da Paz. Mexeu tanto que ele planeja construir uma estátua de Buda, com 108 metros de altura, e um complexo hoteleiro no Morro do Japão, naquele local.
O monge escolheu Chapada depois de revirar o mundo de cabeça pra baixo em busca de um lugar místico para a estátua, que substituirá o conjunto de estátuas de Buda, que foi destruído pelos fundamentalistas do Talibã, em 2002, em Bamiyan, no Afeganistão.
O misticismo da Serra se estende a um gigantesco parque nacional do Ibama, com elevações, cavernas, grutas e platôs, onde ufólogos acreditam que naves interplanetárias fazem pousos e decolagens. Essa região pode derrubar o conceito do folclórico Dario, que diz, “somente três coisas param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha”. A esse trio se pode acrescentar os OVNI’s da Chapada.
A Copa do Pantanal pode se transformar em portal para o mundo mergulhar no insondável de Fawcett, meditar sobre os ensinamentos de Buda, e quem sabe, pegar carona com esverdeados marcianos roucos com os gritos de gol que faz a rede balançar. (EG)
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Diário de Cuiabá
