Para todo o ano, a Secretaria da OMC calcula em 4% o crescimento real do comércio
O comércio mundial teve em 2008 um crescimento de 4%, numa continuação da tendência em queda dos últimos anos, acentuada nos últimos meses com o agravamento da crise econômica e financeira, de acordo com estimativas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
“O crescimento começou a declinar no terceiro trimestre e se acentuou até o fim do ano. Para todo o ano, a Secretaria da OMC calcula em 4% o crescimento real do comércio”, de acordo com um documento interno da organização obtido pela AFP. Os intercâmbios comerciais registraram um crescimento de 8,5% em 2006 e de 5,5% em 2007.
A OMC previa em abril passado que o crescimento do comércio mundial seria de 4,5% em 2008, dado que a desaceleração nos países industrializados só seria compensada parcialmente pelos países emergentes. As flutuações foram mais pronunciadas nas zonas do dólar.
Vendas em queda livre no Japão e na Espanha, redução de emplacamentos na França: os dados de janeiro, publicados nesta segunda-feira, confirmaram a persistência da crise do setor automobilístico, que levam os construtores a pedir ajudas e estudar fusões.
A desaceleração é particularmente violenta no Japão, onde as vendas de carros novos, exceto os minicarros, caíram 27,9% em janeiro em um ano, atingindo seu mais baixo nível em 41 anos, segundo as concessionárias. Este recuo, o sexto consecutivo, é o mais brutal desde maio de 1974. A última vez que as vendas foram tão baixas, assim, foi em fevereiro de 1968.
Na Espanha, o número de emplacamentos de carros novos caiu 41,6% em janeiro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo a Associação Nacional dos fabricantes de automóveis (Anfac). Semana passada, a Anfac havia anunciado que esperava uma queda de aproximadamente 23% das vendas em 2009 em relação a 2008, ano em que os emplacamentos já caíram 28% na Espanha. Para sustentar seu pedido, a Anfac afirmou que 100.000 trabalhadores estão ameaçados pela crise do setor automobilístico na Espanha.
O céu está menos escuro na França, onde as aquisições de carros particulares novos caiu “apenas” 7,9% em janeiro, na comparação com janeiro de 2008. Depois de novembro (-14%) e dezembro (-15,8%) em queda livre, o recuo mais limitado de janeiro traduz “um efeito de incentivo à troca de carro”, segundo o Comitê dos construtores franceses de automóveis (CCFA).
No Japão, milhares de empregos já foram cortados. Na França, o diretor-geral adjunto da Renault Michel Gornet afirmou que o construtor deve passar pelo menos até 2010 por períodos de “baixa atividade”.
As empresas prestadoras de serviços terceirizados também sofrem. Os fornecedores americanos, que empregam mais de 700.000 pessoas, estão correndo para pedir ao governo uma assistência federal. Eles já haviam tentado a sorte em vão em novembro, quando o Congresso examinava a possibilidade de um socorro financeiro em favor de dois dos principais construtores americanos, General Motors e Chrysler, que obtiveram 13,4 bilhões de dólares de empréstimos do governo federal.
Desde então, a situação piorou. A produção automobilística americana foi reduzida em 36% em dezembro. Ela deve continuar diminuindo no primeiro trimestre de 2009, pois a GM, a Chrysler e a Ford quase pararam de produzir veículos em janeiro.
Este marasmo alimenta os rumores de concentrações no setor. Segunda-feira, o jornal econômico La Tribune informou que o construtor alemão BMW encontrou conselheiros do governo francês em 21 de janeiro para estudar uma aliança com a PSA Peugeot Citroën.
A BMW confirmou esta reunião, mas indicou que não se refere a “cooperações industriais”, e portanto não estão certas. Já o grupo francês preferiu não comentar esta informação.
