O lançamento da candidatura do senador José Sarney (PMDB) à presidência do Senado Federal, complicou a vida do PT, que queria revezar com o PMDB as presidências da Câmara e do Senado.
PMDB e PT haviam acordado que primeiro seria eleito Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara e, na eleição seguinte (2009), seria a vez do PMDB. Entretanto, com a entrada de Sarney na disputa para a presidência do Senado, onde tem ampla maioria, o PT não emplacaria o seu nome, Tião Vianna, ficando o PMDB com a presidência das duas casas.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, disse que “a candidatura de José Sarney chama a atenção porque, quando a candidatura de Michel Temer foi lançada aqui na Câmara, foi tratada pelos líderes do PMDB como algo prioritário. Então se alguém deve estar preocupado com a candidatura de Temer deve ser os senadores do PMDB”.
O presidente da Câmara disse ainda que não crê que o lançamento da candidatura de Sarney provoque nenhuma mudança na posição da bancada do PT. “Seria um erro mudar o compromisso que firmamos”, acrescentou. Há dois anos, o PMDB apoiou a eleição de Arlindo Chinaglia em troca do apoio a Michel Temer a presidente da Câmara na eleição subsequente. “Até porque não está escrito quem vai ganhar no Senado. O processo continua. Eu prefiro o PT comandando o Senado e o PMDB comandando a Câmara.”
Para os petistas, a situação geraria um “desequilíbrio de forças”, já que o PT tem o presidente da república e deveria ficar pelo menos com uma das casas. Sarney entrou na disputa depois que Garibaldi Alves, o candidato do partido no Senado, foi ameaçado de ter anulada a sua candidatura, por poder ser interpretada como reeleição.
Tião Vianna (Acre), também não tem trânsito livre no Senado, mas poderia ser eleito por força da pressão de Lula e do PT. O problema é que Sarney tem trânsito livre inclusive com Lula. O presidente chegou a dizer que não se oporia a Sarney.
