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Pelo Mundo

Uso abusivo de medicamentos supera o de heroína, cocaína e ecstasy, diz ONU

EditorPor Editor24 de fevereiro de 20102 Mins Leitura
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Relatório alerta para crescimento do consumo de drogas controladas.
Ele cita caso da morte de Michael Jackson e de outras celebridades.

O uso abusivo de medicamentos controlados cresce rapidamente no mundo e já supera todo o abuso somado de heroína, cocaína e ecstasy, segundo o relatório anual divulgado na quarta-feira pelo Departamento Internacional de Controle de Narcóticos, ligado à ONU.

O relatório disse que várias mortes de celebridades no ano passado, como a do cantor Michael Jackson, chamaram a atenção para o problema dos medicamentos lícitos.

Nos EUA, o abuso dos medicamentos “já é a segunda questão mais importante do abuso de drogas, depois da maconha”, disse o texto, apontando a existência de 6,2 milhões de norte-americanos viciados em remédios em 2008.

“O abuso de tais drogas tem se difundido pelo mundo nos últimos anos”, afirmou Hamid Ghodse, diretor do Centro Internacional para a Política de Drogas da Universidade St. George’s, em Londres, um dos autores do relatório. “Isso precisa ser enfrentado urgentemente.”

Ghodse disse ser difícil obter dados abrangentes sobre esse “problema oculto”, mas na Alemanha, por exemplo, estima-se que 1,4 a 1,9 milhão de pessoas sejam dependentes de medicamentos vendidos sob receita. Em vários países europeus, entre 10% e 18% dos estudantes usam sedativos ou tranqüilizantes sem receita.

A entidade disse que farmácias ilegais estão atuando na Internet para vender ao mundo inteiro esses medicamentos – muitas vezes roubados, desviados ou falsificados. O relatório cobra medidas dos governos para monitorar ou proibir esses sites.

A agência da ONU citou também um aumento no uso das “drogas do estupro”, refletindo uma preferência de abusadores sexuais por substâncias lícitas.

Ketamina e gama-butirolactona (GBL), que não são controladas sob as convenções internacionais antidrogas, estão substituindo o Rohypnol, que costumava ser a droga mais usada no golpe conhecido no Brasil como “boa noite cinderela”.

Ghodse disse que a maior rigidez no controle do Rohypnol (cujo nome genérico é flunitrazepam) por parte de governos e laboratórios fez com que seu uso em crimes diminuísse, sendo substituído por substâncias mais fáceis de obter e usar.

“Como em muitos países essas drogas são facilmente disponíveis, elas freqüentemente caem em mãos criminosas”, disse.

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