Dispositivo voltado à impressão 3D converte resíduos plásticos em um produto de maior valor agregado para cooperativas da região
Um grupo de estudantes das Engenharias da Universidade Feevale desenvolveu uma solução tecnológica que pode contribuir para o fortalecimento das cooperativas de reciclagem e para o reaproveitamento de resíduos plásticos. Batizado de Fipet, o projeto consiste em um dispositivo capaz de transformar garrafas PET descartadas em filamento para impressão 3D.
A iniciativa foi desenvolvida por dez acadêmicos durante as unidades curriculares Projeto Aplicado I e Projeto Aplicado II, com orientação das professoras Cristine Kassick e Daiana Arnold. A ideia surgiu após uma visita técnica à Univale, cooperativa de reciclagem localizada em Novo Hamburgo, onde os estudantes conheceram de perto os desafios enfrentados pelos trabalhadores do setor.
Impressão 3D pode ampliar valor do material reciclado
Durante a visita, os acadêmicos identificaram que o PET está entre os materiais mais presentes na separação de resíduos, mas geralmente é comercializado apenas em fardos prensados, o que gera baixo retorno financeiro para as cooperativas A partir dessa constatação, o grupo decidiu criar uma alternativa capaz de agregar valor ao material.
O resultado foi o desenvolvimento de um protótipo de baixo custo que recebe garrafas PET já higienizadas, corta o plástico em tiras uniformes e utiliza um sistema de aquecimento controlado para convertê-las em filamentos prontos para uso de impressão 3D.
Segundo a professora Daiana Arnold, a proposta reúne benefícios ambientais e econômicos. Além de contribuir para a redução da quantidade de plástico descartado em aterros e no meio ambiente, a tecnologia cria novas oportunidades de renda para catadores e cooperados.
Novas oportunidades para cooperativas
A expectativa é que as cooperativas não apenas comercializem o filamento reciclado, mas também utilizem a impressão 3D para produzir itens próprios. Entre as possibilidades estão brindes, peças decorativas, utensílios e outros produtos com maior valor agregado, utilizando como matéria-prima o plástico recolhido nas ruas da região.
Atualmente, o Fipet passa por uma fase de aperfeiçoamento e testes. Paralelamente, os estudantes avaliam formas de ampliar a aplicação da tecnologia para que outras cooperativas de reciclagem também possam ser beneficiadas.
Participam do projeto Mateus Becker Stoffel e Everton Gatelli, da Engenharia de Computação; Vitório Wickert, Felipe Closs Mattes, Matheus Henrique Van Der Veen, Guilherme Rocha Brandão, Carlos Felipe Dresch da Cunha e Yuri Scharlau, da Engenharia Mecânica; Daniel Muller de Araujo, da Engenharia Elétrica; e Rafael Lenhardt Diel, da Engenharia Civil.
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