Novo Hamburgo ficou em 9º lugar no ranking do PIB do estado, enquanto São Leopoldo caiu para o 10º lugar. Sapiranga subiu 7 posições, de 2022 para 2023, ocupando a 24ª posição. No biênio, os maiores crescimentos na região foram de Ivoti, Sapiranga, Campo Bom, Dois Irmãos e Estância Velha
Um estudo divulgado pelo Governo do Estado aponta avanços relevantes no Produto Interno Bruto (PIB) de Novo Hamburgo, ao lado de municípios como Gravataí e Santa Cruz do Sul, no ranking das maiores economias do Rio Grande do Sul em 2023. Os dados confirmam uma tendência que já vinha sendo percebida no cotidiano regional: a retomada e a diversificação da atividade econômica em polos urbanos estratégicos fora da Capital.
No caso de Novo Hamburgo, o crescimento econômico reflete um conjunto de fatores estruturais e conjunturais. Tradicionalmente reconhecida como capital nacional do calçado, a cidade vem ampliando sua base produtiva, incorporando setores como serviços especializados, tecnologia, comércio qualificado, educação superior e economia criativa. Essa transição tem garantido maior resiliência diante das oscilações do mercado industrial tradicional.
Todas as informações consideram o período anterior às enchentes de 2024.
Diversificação e serviços puxam a economia hamburguense
Especialistas apontam que Novo Hamburgo vive um processo de reposicionamento econômico, no qual o setor de serviços ganha peso crescente no PIB municipal. Áreas como saúde, educação, logística, tecnologia da informação e serviços empresariais têm ampliado sua participação, acompanhando uma tendência observada em outras cidades médias brasileiras.
Além disso, a cidade mantém forte integração com o Vale do Sinos, formando um corredor econômico dinâmico com municípios vizinhos como São Leopoldo, Campo Bom, Estância Velha e Sapiranga. Essa articulação regional potencializa cadeias produtivas, mercado de trabalho e investimentos, fortalecendo o desempenho coletivo da região.
Infraestrutura, localização e capital humano como diferenciais
A localização estratégica de Novo Hamburgo, com acesso facilitado à Região Metropolitana de Porto Alegre, à Serra Gaúcha e aos principais eixos rodoviários do Estado, segue sendo um diferencial competitivo. Soma-se a isso a presença de instituições de ensino, centros de formação técnica e universidades, que garantem capital humano qualificado para atender às novas demandas do mercado.
Programas de incentivo ao empreendedorismo, políticas de inovação e a atuação de entidades empresariais também contribuem para criar um ambiente favorável aos negócios, estimulando a abertura de empresas e a atração de investimentos.
Crescimento compartilhado no interior gaúcho
O estudo estadual também destaca o avanço de municípios como Gravataí, impulsionado por seu parque industrial diversificado, e Santa Cruz do Sul, com forte base no agronegócio, na indústria de alimentos e no setor de serviços. Em comum, essas cidades demonstram que o crescimento econômico do Rio Grande do Sul passa, cada vez mais, pelo fortalecimento de polos regionais fora da Capital.
Esse movimento reforça a importância de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento regional equilibrado, capazes de estimular inovação, infraestrutura e sustentabilidade econômica nos municípios de médio porte.
Perspectivas para os próximos anos
Para Novo Hamburgo, segundo o Governdo do Estado, o cenário é de otimismo cauteloso. Os desafios permanecem — como a modernização urbana, a qualificação contínua da mão de obra e a atração de novos investimentos —, mas os indicadores econômicos recentes sinalizam um caminho consistente de crescimento.
Ao consolidar sua vocação como centro regional de serviços, inovação e indústria diversificada, Novo Hamburgo reafirma seu papel estratégico no desenvolvimento do Vale do Sinos e no cenário econômico do Rio Grande do Sul.
Crescimento do PIB do Vale do Sinos em alta

As cidades de São Leopoldo (10º lugar no ranking do PIB gaúcho), Sapiranga (24º), Campo Bom (26º), Dois Irmãos (49º), Estância Velha (55º), Portão (70º), Ivoti (82º) e Morro Reuter (225º) apresentaram crescimento econômico.
Em valor absoluto, Ivoti teve o maior crescimento, de 2021 para 2023, de mais de 30%, saltando de um PIB de R$ 1,18 bilhão para R$ 1,53 bilhão. Sapiranga teve crescimento no biênio de 29,3% passando de R$ 3,61 bi para R$ 4,67 bi. Campo Bom teve crescimento de mais de 25%, Estância Velha, mais de 23%, Dois Irmãos 20,6% e Novo Hamburgo com 18,9%, em dois anos.
Contexto estadual
A concentração da atividade econômica nos maiores municípios apresentou leve elevação entre os dois anos analisados, passando de 40,09% em 2022 para 40,77% em 2023. Não houve alteração no conjunto dos dez municípios com maior PIB, apenas mudanças de posição dentro do ranking.
Além de Porto Alegre (1º), Caxias do Sul (2º) e Canoas (3º), o grupo dos maiores PIBs estaduais em 2023 incluiu Gravataí (4º), Rio Grande (5º), Passo Fundo (6º), Santa Cruz do Sul (7º), Pelotas (8º), Novo Hamburgo (9º) e São Leopoldo (10º).
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Ranking nacional
Três municípios do Rio Grande do Sul figuraram entre os 100 maiores PIBs do Brasil em 2022 e 2023: Porto Alegre, Caxias do Sul e Canoas. A capital manteve a 9ª posição no ranking nacional nos dois anos. Caxias do Sul avançou uma colocação, passando da 38ª para a 37ª posição, enquanto Canoas passou da 44ª para a 47ª posição.
PIB per capita
Em 2023, os maiores valores do PIB per capita foram registrados em Muitos Capões, que liderou o ranking estadual com R$ 330.081, impulsionado pela elevada produtividade agropecuária, especialmente nas culturas de soja e milho, e em Triunfo, com R$ 275.341, influenciado pela concentração das atividades do polo petroquímico. Ainda em 2023, os municípios de Camargo, Imigrante, Aratiba, Não-Me-Toque, Candiota, Pinhal Grande, Coxilha e Capão Bonito do Sul completaram o grupo dos dez maiores produtos per capita.
Os menores níveis de PIB per capita concentraram-se em municípios com menores níveis de produtividade econômica: Barra do Guarita ocupou a última posição em 2023, com R$ 19.953, seguida por Dezesseis de Novembro (R$ 20.507) e Redentora (R$ 21.319). O conjunto dos dez menores valores incluiu ainda Caraá, Alvorada, Balneário Pinhal, Cerrito, Porto Xavier, Cidreira e Benjamin Constant do Sul.
Com informações do Governo do Estado RS, por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

