
Sempre que me perguntam o que acho importante para dar certo num relacionamento e logo me vem à cabeça a primeira das muitas respostas. É importante que você se relacione com alguém que goste de você e vice-versa. Parece óbvio, mas não é.
Alguns sofrem de necessidades que vão desde status, confrontar os pais, não ficar sozinho, ou ter algum romance quando o assunto é encontrar alguém para se relacionar. Muitos confundem ter uma companhia com ter um companheiro (a). Se é apenas para ter uma companhia, compre um cachorro. Certamente será menos doloroso e decepcionante para ambos.
Para um relacionamento, mais importante do que o romance é sem dúvida a amizade, a parceria, ser do mesmo time, o time da família! Então é no mínimo insensato ou mais difícil quando na escolha não são observados os costumes, o respeito e aceitação da família, suas heranças, hábitos, religião, grupo étnico, etc.
Alguém que queira te afastar de tudo que és ou das coisas que fazem parte da tua vida, não pode ser do teu time. Logo descobrirá que tudo isto levas dentro de ti. Faz parte do que és, não de um estado. Isto me preocupa em relação aos casamentos. Antigamente ser casado fazia parte da identidade. “Sou casada!” Era algo realmente internalizado. Hoje é dito “estou casada”, deixando claro apenas um estado que a qualquer momento pode ser desfeito.
As mulheres são mais especialistas quando o assunto e resolver depois. Sempre pensam: “O meu amor será tão grande, mas tão grande que depois de casada ele mudará”. Ou ainda: “Depois de casados dou um jeito na família dele, com o tempo as coisas mudarão”. Doce ilusão! Ele não divide nada comigo, mas é porque não está acostumado… Os homens neste sentido são mais práticos, no que diz respeito as escolhas.
Quando falo em amizade, falo na capacidade de poder “filar” pedaços de cada um, internos e externos. E poder compartilhar coisas íntimas ou banais. É compartilhar amigos, a família, ter prazer em dividir a casa, a cama, os sonhos os projetos a conta bancária, as dificuldades, a mesma sobremesa, o mesmo copo, o prazer.
Estava observando duas amigas compartilharem o mesmo pratinho de sobremesa, ao que o marido de uma delas pergunta: “Porque não serve um prato de sobremesa para ti ?” Logo me reportei a pensar no quanto é bom um gole no copo do outro,uma mordidinha no pastel de alguém, uma lambida no sorvete do outro, um pedaço da laranja do outro.
Começamos então a falar no assunto, e a rir da teoria do “pussucar”. Nem sei se este termo existe na língua portuguesa, mas é muito comum nas cidades do interior e de grande importância para os relacionamentos amorosos, familiares e de amizade. É a capacidade de dar e receber um pedacinho de alguma coisa de si ou do outro.
Não podemos viver pussucando, cada pessoa deve ter as suas coisas. Mas ter a capacidade de eventualmente dividir, de compartilhar, de ser pussucado é fundamental para a vida á dois. É tolerar de certa forma ser invadido, algo que é quase impossível de ser evitado nas relações.
Relacionamentos invejosos, egoístas, onde não se pode dividir, ou onde se quer tudo separado, onde o medo da invasão é maior do que o desejo de compartilhar, ficam difíceis de darem certo. São relacionamentos cheios de frustração e mágoa. É viver sozinho a dois .
Aos meus amigos Dr. Rui e Lúcia, Dr. .Francisco e Fabiana de Caxias do Sul ,o meu agradecimento por pussucar a cerveja ,o chapéu ,os drinks e a teoria do pussucar.
