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Comportamento

Falta de Idiotice

EditorPor Editor6 de novembro de 2008Atualizado:24 de setembro de 20093 Mins Leitura
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Sabem, já ouvi muitos depoimentos de pessoas a respeito dos porquês de seus casamentos terem acabado. Já ouvi que era por falta de amor, por falta de dinheiro, por signos que não combinavam, por falta ou excesso de sexo, pela falta de sincronia, sendo que na atualidade a moda é: pela incompatibilidade de gênios. Mas dificilmente alguém acredita que o término de seu casamento se deu pela falta de idiotices. Pois eu sempre odiei a seriedade excessiva.

Aqueles relacionamentos meticulosos que nunca podem sofrer um erro sequer. Relacionamentos sensatos demais, sérios demais, duros demais, rígidos demais. Movidos pelas tarefas e atividades do casal. Relacionamentos cheios de planos certos a seguir. Relacionamentos onde o imprevisto é sinônimo de catástrofe.

Recentemente, ao ler uma crônica do escritor Arnaldo Jabor, lembrei-me desta minha crença de que a seriedade excessiva acaba com qualquer relação. E que idiotice, como ele também afirma, é vital para a felicidade. Ele pergunta: “quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho para tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?” Eu complemento dizendo que pior é estar ao lado de alguém que não consegue rir quando você tropeça. E pior ainda é aquele tipo que te acusa se você tropeça.

Conheço uma porção de gente, inclusive colegas meus, que deveriam promover a alegria e que parecem sempre intelectualizados, sérios, profundos, contidos e evidentemente ultra-chatos. Usam termos como “à nível de” (que no português, para quem não sabe, é um grande erro) ou o que agora está muito na moda: “enquanto tal coisa”. Enquanto classe, enquanto mulheres, enquanto profissionais, enquanto, enquanto, e assim por diante. E tudo isto somente para sentirem-se mais consistentes e demonstrarem mais capacidade.

Casamentos deviam ser cheios de idiotices, mas aí talvez as pessoas parecessem crianças. Uiiiiii, que medo de se parecer imaturo. Que medo de não parecer performático, que medo do riso fácil, da demonstração afetiva. Será que ser adulto ou ter uma relação de adulto no casamento é perder os pequenos prazeres da vida? Eu lhes afirmo que não. Para sermos gente grande e termos um relacionamento de gente grande não precisamos e não devemos abrir mão da alegria, da espontaneidade, da criatividade, dos tropeços, enfim, de nos sentirmos livres.

Então, se vocês não querem perder seus casamentos ou tornarem-se pessoas insuportáveis, daquelas que todos querem distância e de quem no fundo temos pena, não tenham medo de idiotices e mancadas. Elas fazem parte da vida e podem ser vividas de modo prazeroso.

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