
Diversas ações estão sendo feitas pelo poder público para coibir a venda e o consumo de crack no Brasil. Iniciativas nas esferas federal, estadual e municipal começam a ganhar o foco das discussões do executivo, legislativo e judiciário. O que acaba pautando assim medidas que possam de certa forma trazer um alento aos depedentes de drogas e seus familiares que sofrem com os problemas associados ao consumo do crack.
No mês de abril, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) utilizou a tribuna da Câmara Federal para defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o avanço da epidemia de crack pelo Brasil. De acordo com Pimenta, “é necessária a defesa de uma ação concreta do Poder Legislativo perante o risco que as drogas oferecem à sociedade brasileira”, abordou.
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Conforme Pimenta, o que o motivou a iniciar este processo em busca de uma alternativa ao combate às drogas no Brasil foi a ausência de políticas públicas que ofereçam reabilitação aos depedentes e seus familiares. “Estas pessoas necessitam ser amparadas e o crescimento da criminalidade também colabora para que se estabeleça ações para o combate aos entorpecentes”, frisou.
Em nível estadual, no dia 21 de maio, a Comissão de Serviços Públicos da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul promoveu uma audiência pública para debater a disseminação e o combate à droga em solo gaúcho. De acordo com dados apresentados pela Associação do Ministério Público destacados durante a audiência, são movimentadas anualmente 24 toneladas de crack no Rio Grande do Sul, o que corresponde a meio bilhão de reais.
Outra ação em nível estadual para coibir o uso de drogas no Rio Grande do Sul foi tomada pela Associação dos Municípios do Vale do Rio dos Sinos (AMVRS). No encontro realizado na cidade de Sapiranga, os representantes do executivo de seis cidades definiram por debater formas de conter o avanço da droga com uma ação efetiva da Secretaria de Segurança Pública do Estado e da Secretaria Nacional de Segurança. O próximo encontro da AMVRS que debaterá o tema ocorrerá no mês de junho, devendo reunir centros de tratamento de dependentes químicos, entidades da sociedade civil, Igrejas, Ministério Público e forças policiais.
Na cidade de Novo Hamburgo, o vereador Volnei Campagnoni (PC do B) afirma que o município não possui um lugar adequado para internar os dependentes do crack. “Os menores vão para o Hospital Municipal, que está sempre cheio e não tem lugar para mais nada. Vemos crianças e adultos dormindo em qualquer bairro, drogados. E ninguém faz nada. Nem as autoridades. O crack está se tornando o problema do século, está tomando conta e nós estamos sem saber o que fazer”, apontou.
Ainda segundo Campagnoni, há fazendas de recuperação, mas poucas conseguem recursos públicos. A outra opção, segundo ele, seria criar clínicas, mas admite o alto custo como um empecilho. “Mesmo irregulares, as fazendas conseguem dar um retorno e nem que seja de 1% já é alguém recuperado”, destacou, ressaltando a importância de se travar uma discussão séria e ampla sobre o assunto.
