
O crack atinge todas as idades e classes sociais. E para comprar as pedras da substância alucinógea, os dependentes fazem de tudo, inclusive, vender móveis e objetos das casas em que moram. Um destes casos, ocorreu no mês de março, no bairro São José, em Novo Hamburgo. Um homem de 29 anos trocava utensílios da residência em que morava, vendendo inclusive uma das janelas da casa para conseguir comprar pedras de crack. O pai do rapaz, o mototaxista Arlindo Emilio da Silva, 60 anos, indignado com a situação vivenciada por seu filho, resolveu denunciar a situação à polícia. “Resolvi expor a situação para as autoridades perceberem o que essa droga faz com as famílias”, relatou.
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Em um período de cinco anos, o homem de 29 anos já foi internado pelo menos cinco vezes. Apesar de já estar sendo acompanhado pelo Centro de Atenção Psicossocial para Usuários de Álcool ou Outras Drogas (Caps) do município, ele não conseguiu se livrar da dependência química. De acordo com Silva, seu filho que é casado e pai de um menino de três anos de idade, foge sempre que é internado.
Mas, para se perceber o consumo de crack pela cidade de Novo Hamburgo, não é necessário ir para regiões periféricas. É possível encontrar potenciais usuários da droga no centro da cidade. Nas imediações de uma praça às margens de uma movimentada avenida, menores se prostituem para poder comprar as pedras da substância. “Faço programa para conseguir comprar as pedrinhas”, diz a menor A.V.F., de 14 anos, que relata que já está nesta vida há dois anos. Já, J.F., também de 14 anos, afirma que seus pais já haviam tentando interná-la, mas, ela havia fugido da clínica. A menina confirmou que já vendeu um equipamento de som e um aparelho de DVD para comprar crack.
Já o menor D.F., de 15 anos, relata que consome crack para esquecer os problemas que vivencia em sua casa. “Quando retornava da escola, enxergava meu pai batendo em minha mãe. Não aguentava ver aquilo até que um dia fui tirar satisfações dele e acabei apanhando também”, relata. O jovem afirma que a situação financeira de sua família é complicada, pois, seus pais estão desempregados há mais de um ano.

Reprodução / Agência Brasil
