
No Estado já são mais de 55 mil dependentes deste tipo de substância entorpecente
Michel Pozzebon – michel@novohamburgo.org
O Portal Novo Hamburgo.org apresenta uma matéria especial trazendo um panorama sobre o aumento exponencial do consumo de crack no Rio Grande do Sul. Em questão de quatro anos, a apreensão da droga por parte das autoridades policiais aumentou praticamente 10 vezes.
Depressão, problemas financeiros, crises familiares, estas são algumas das situações que levam cada vez mais pessoas ao uso de drogas, direcionando assim muitos indivíduos ao crime e a morte. Indo de encontro a esta conjuntura preocupante, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, apresentou no mês de abril uma estatística alarmante. No Estado, já são mais de 55 mil dependentes de crack, o que já se caracteriza como epidemia. Em uma projeção, especialistas afirmam que o número de usuários da droga deverá atingir a marca de 300 mil usuários dentro dos próximos anos.
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Para se ter ideia do crescimento exponencial do consumo de crack no Rio Grande do Sul, em 2005, segundo informações da Polícia Militar, foram apreendidos 20 quilos da substância. Enquanto que em 2007, esta quantidade aumentou para seis vezes mais. Um ano antes, a porção apreendida com traficantes foi superior ao de cocaína. Neste momento, já passa de três vezes mais. No ano passado, foram recolhidos aproximadamente 200 quilos da pedra, o que representa 10 vezes mais que há quatro atrás.
O crack é considerado uma das mais letais drogas existentes atualmente. Segundo o toxicologista João Carlos de Melo, a substância entorpecente se popularizou na década de 1980 devido ao seu baixo custo, sendo vendida hoje a R$ 5 a pedra, uma quantidade de 24 decigramas. O especialista alerta para os riscos causados pela droga. “O crack é o primo pobre da cocaína, em um estado inicial provoca vômitos e diarréias e em uma situação mais extrema pode levar o indivíduo a ter complicações vasculares e arritmias cardíacas”, destaca.
Segundo o representante da Associação do Ministério Público, Mauro Luis Silva de Souza, com um quilo de crack é possível obter aproximadamente 4,1 mil pedras da substância. Em um formato menos puro do que a cocaína, a droga tem um poder maior de dependência, em que a fumaça da substância chega ao cérebro com uma velocidade e potência extremas.
Conforme o diretor do Departamento Estadual de Narcotráfico, delegado Álvaro Steigleder, “após um indivíduo consumir uma pedra de crack em menos de 30 minutos, este dependente já quer ir em busca de outra. Se ele fumar uma quantidade de 10 pedras ao dia, necessitará de aproximadamente R$ 1,5 mil por mês”, afirma. O que segundo Steigleder obriga estes elementos a cometer desde pequenos delitos até se envolver em roubos com morte (latrocínios).
Um levantamento feito pelo Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), revela que em 2008, 55% dos menores envolvidos em ocorrências relacionadas a drogadição estavam sob o efeito do crack. No ano de 2005, este índice não passava de 2%.

Foto: Reprodução Agência Brasil
