
Informações do histórico retiradas do site da bailarina Lulu Sabongi, uma das mais antigas e conceituadas do país
A forma de dança chamada em árabe de “Raqs Sharqui” (dança do oriente) existe provavelmente há milhares de anos. Há muitas teorias sobre suas origens, uma das quais, a que tem suas raízes na Índia e que de lá foi difundida pelos ciganos que a trouxeram para o Ocidente.
Outros dizem que ela nasceu no Antigo Egito, e querem traçar no passado sua origem de acordo com antigas danças rituais da Idade da Pedra, nas religiões que cultivavam a grande Deusa. Também acredita-se que a dança existiu como forma de arte nas cortes tanto sob o Império Romano quanto mais tarde no Império Otomano (Turquia). Durante esta época, imagina-se que a dança possa ter se espalhado por todo o mundo árabe.
No Brasil

Em nosso país, no início dos anos 70, em São Paulo, alguns restaurantes árabes como Semíramis, Bier Maza e Porta Aberta possuiam apresentações de dança do ventre como atração para seu público frequentador (em sua maioria, pessoas da colônia árabe).
Em geral, três músicos tocavam num pequeno palco (alaúde, derback e dâff), e num determinado momento do jantar, eram chamadas uma ou duas bailarinas, para fazerem suas apresentações. Shahrazad, vinda do oriente ministrava suas aulas em casa para alunas que logo seriam as responsáveis pela propagação da dança no país. Surgia a primeira geração de bailarinas no Brasil. Eram elas, Shahrazad, Samira, Rita, Selma, Mileidy e Zeina. Anos após, outra bailarina destaque, aluna de Sharazad, Lulu Sabongi foi importante peça de desenvolvimento da dança no país devido sua enorme dedicação e estudo pela dança
Atualmente, após três décadas, as sementes da dança oriental, permanecem frutificando. Mesmo após estes locais terem encerrado suas atividades, ao longo dos anos 80 a dança começou a exercer tremendo fascínio nas mulheres brasileiras, assim como no resto do mundo.
Não se pode negar que a procura pelo desenvolvimento da dança e pelos benefícios que ela trás consigo para todas as mulheres, desencadeou-se geométricamente, a partir do momento que ela começou a ser divulgada através da Khan el Khalili em 1983, em suas Noites Egípcias. Na primeira delas, dançaram: Samira (que realiza anualmente o Mercado Persa), Rita, Selma, Rosana e Mileidy.
Na verdade, a sugestão destas “Noites Egípcias” com dança do ventre na Casa de Chá, na época, foi mencionada pelo Sr. e Sra. Ashmawi (egípcios natos e amigos da casa), como forma de aproximar e mostrar aos brasileiros um pouco da riqueza da cultura egípcia. À eles, devemos nosso profundo respeito e carinho, por terem-nos concedido tal idéia a qual, abraçamos para o resto de nossas vidas, sempre procurando apresentar o melhor. Lulu Sabongi iniciou seu aprendizado com Shahrazade e acabou tornando-se uma grande estrela dentro da Casa de Chá em pouco tempo.
Ao assistir uma apresentação de dança na Khan el Khalili, as mulheres ficam surpresas e encantadas com a delicadeza e habilidade que esta dança proporciona, os quadris traduzidos em música, as mãos desenhando pelo ar, os trajes e o mito de princesa. Sem falar na fantasia sobre o poder sedutor desta arte milenar.
Acima de tudo, as aulas funcionam como um convite, pois a mulher que conhece seu corpo como ninguém, respeita e cultua suas crenças, traz de volta para sí através dessa prática, antiga como o curso dos rios que nunca secam, uma profunda ligação com suas raízes ancestrais. Eis o grande prazer de ser mulher. Durante os anos de nossa permanência no mercado, diversos locais abriram e fecharam suas portas, pois a grande maioria negligenciava componentes e detalhes essenciais, tais como por exemplo a qualidade da dança a ser apresentada.