O título acima será uma referência na história mundial, com seus pontos positivos e negativos surgindo a todo momento. Há pontos positivos porque, em todas as crises, a humanidade sofreu, mas ganhou em alguns aspectos. Não sabemos ainda que ganho haverá, mas as perdas já são visíveis.
As previsões neste momento são as mais diversas. Um dos exemplos: o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavía, “alertou que esta crise pode tirar o emprego de 20 milhões de pessoas em todo o mundo”. No caso nacional, os bancos brasileiros estão selecionando e restringindo o crédito e cobrando juros mais altos.
O cenário é preocupante, mas o nosso sentimento é que estão predominando especulações – e não ações pragmáticas para tentar, no mínimo, contribuir para se ter um processo onde as perdas sejam menores do que o que se apresenta. Não é hora de fazer política, o momento é de colocar os planos especulativos e políticos de lado e todos contribuírem para amenizar o impacto da crise.
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Mas tenho certeza, é hora de saber quem são as pessoas preparadas e comprometidas em todas as esferas, é hora de avaliar o comportamento de quem está de fato interagindo para enfrentar os desafios do momento. No plano macro, acompanhar o que está sendo feito pela classe política e instituições governamentais, de prático, para ajudar as empresas, que são as responsáveis pela geração de riquezas para o País. Até o momento só temos tido discursos e poucas ações, a preocupação tem sido a de socorrer o setor financeiro, o qual tem sido o campeão de lucros e se destacado por apresentar os juros mais altos do mundo e um conjunto de taxas por todos os serviços que oferece. Até agora os setores produtivos não receberam nenhum apoio.
Nas empresas, o momento é de os empresários agirem com cautela e alinharem o seu foco, seus processos, procurando aumentar o grau de parceria na sua cadeia de valor e manter os bons funcionários até o último instante, porque não será possível enfrentar a crise sem a participação dos que sempre colaboraram com a organização.
Do outro lado da mesa, é hora de os funcionários mostrarem que são competentes e profissionais; a carreira, horário e compromissos pessoais terão que ficar abaixo do interesse da empresa. Ainda não é uma guerra, mas se passar, como se está ameaçando, a ser uma depressão mundial, as regras serão duras e, mais do que antes, será necessário adotar com muito rigor um princípio duro, mas real, de gestão: “socorrer os feridos e atirar nos desertores”. Neste momento não há lugar nas empresas para colaboradores que não se engajem de corpo e alma na solução dos problemas. É hora de conhecer os parceiros internos e externos. A postura estratégica é de sobrevivência para a maioria dos setores, é hora de otimizar os recursos internos e externos. Para alguns setores será de ganho, porque sempre alguém ganha nas crises”.
Por Hélio Mendes, diretor-executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) em www.assintecal.org.br
