PT sai das eleições com o governo municipal e a maior bancada na câmara. Apesar da derrota na disputa pela Prefeitura, PMDB também cresce no legislativo e deve liderar oposição
Não chegou a surpreender, mas o resultado das eleições em Novo Hamburgo passou longe das previsões. Há duas semanas, era praticamente impossível imaginar que o novo prefeito seria eleito com mais de 10 mil votos a frente do segundo colocado. Pois abertas as urnas, Tarcísio Zimmermann chega a Prefeitura 12 anos após a primeira tentativa com um marca histórica. O candidato do Partido dos Trabalhadores fez 70.442 votos, o que representa 51,5%, contra 42% do atual prefeito, Jair Foscarini (PMDB), que contabiliza 57.921 votos. Ralfe Cardoso (PSOL) termina a eleição com o índice de 6,5%, chegando aos 8.933 votos.
Se na eleição majoritária o PT conseguiu maioria absoluta, embora também tenha feito a maior bancada ao lado do PMDB, na Câmara de Vereadores a vantagem não é tão expressiva. O governo petista terá quatro cadeiras. Somadas a outras duas do PDT e uma do PCdoB, a seu favor estará exatamente a metade dos vereadores. Do outro lado, os peemedebistas também crescem. Elegeram quatro vereadores e serão líderes de uma oposição que conta ainda com uma cadeira do PP, uma do PSDB e possivelmente com o vereador eleito pelo PTB, que apoiou publicamente a candidatura de Foscarini à reeleição.
Enfim, prefeito de Novo Hamburgo
Ano: 1996. Cidade: Novo Hamburgo. Tarcísio Zimmermann disputava pela primeira vez a Prefeitura. Como ele mesmo define, “o PT vivia uma crise”. “Confesso que eu também não era um bom candidato”. Tarcísio morava há pouco tempo no Vale do Sinos e trabalhava na capital. “Quem mais me conhecia era quem pegava ônibus à Porto Alegre”, ironiza. Foram 13.794 votos, melhor resultado do PT na cidade até então.
A experiência serviu para dois anos mais tarde o petista chegar à suplência na Câmara Federal. Em 1999, assume a Secretária do Trabalho no Governo Olívio Dutra e em 2002 chega ao Congresso Nacional como titular com mais de 100 mil votos, desempenho repetido na reeleição em 2006. Antes disso, em 2004, mais uma tentativa à Prefeitura. O adversário já era Jair Foscarini. Tarcísio faz 42.324 votos (30,56%), novamente insuficientes para vencer. Depois das reviravoltas jurídicas que redundaram em eleição suplementar, preferiu não concorrer.
Em 2008, o filho de pequenos agricultores de Santo Cristo, formado em Sociologia na UFRGS, vira prefeito de Novo Hamburgo. E promete trabalhar muito. Repetindo a frase freqüente na campanha, Tarcísio diz: “vamos trabalhar o dia todo e vamos trabalhar todos os dias”. Ele já elegeu as áreas de Saúde, Desenvolvimento Econômico e Saneamento Básico como prioridades do governo que inicia em janeiro de 2009 e nomeou o petista Luís Lauermann como coordenador da equipe de transição.
