Em 1824 desembarcavam em São Leopoldo , os primeiros imigrantes alemães que criaram e desenvolveram o Vale do Rio do Sinos. Conheça um pouco dessa história
O dia 25 de julho marca o início da imigração alemã no Rio Grande do Sul. Nessa data, os 39 imigrantes, desembarcaram as margens do Rio dos Sinos, e se estabeleceram na antiga Real Feitoria Linha Cânhamo. Mas você conhece como essa história aconteceu? E porque houve essa imigração para o Brasil? Então, acompanhe a reportagem.
A colonização alemã no Rio Grande do Sul foi motivada pela necessidade de povoar o sul do Brasil, garantindo a posse do território, ameaçada pelos vizinhos castelhanos. Além disso outro objetivo da busca de alemães era recrutar soldados mercenários para reforçar o exército do Brasil recém independente.
Pensando nessa defesa territorial, e como a população brasileira crescia muito devagar, em 1822, o Brasil enviou uma comitiva para a Europa, para buscar colonos.E foi assim, que em 18 de julho de 1824 chegou a Porto Alegre a primeira leva de 39 imigrantes alemães, depois despachados para a atual São Leopoldo.
Os primeiros colonos vieram de Holstein, Hamburgo, Mecklemburgo e Hannover. Depois, passaram a predominar os vindos de Hunsrück , Palatinado, Pomerânia, Vestfália e de Württemberg. Entre 1824 e 1830 entraram no Rio Grande do Sul 5350 alemães.

Por problemas políticos e depois por causa da Revolução Farroupilha a imigração ficou interrompida entre 1830 e 1844. Reiniciada a imigração, entre 1844 e 1850 chegaram mais dez mil imigrantes, e entre 1860 e 1889 outros dez mil. Entre 1890 e 1914 chegaram mais 17 mil alemães.
Os alemães inicialmente ocuparam o vale do Rio do Sinos e depois da Revolução Farroupilha foram se afastando, fundando colônias nos vales dos rios Taquari, Pardo e Pardinho, fundando Santa Cruz do Sul, a Colônia Santo Ângelo e a Colônia de Santa Maria do Mundo Novo. Às margens da Lagoa dos Patos fundaram São Lourenço do Sul e no inicio do século XX chegaram ao noroeste do estado, criando Ijuí, Santa Rosa, entre outras, para logo depois atravessarem o Rio Uruguai e migrarem para o oeste de Santa Catarina e Paraná, além de colônias no norte da Argentina e no Paraguai.
Passada a Segunda Guerra Mundial a quantidade de imigrantes diminuiu muito, até se extinguir. A última colônia formada foi de um grupo de famílias , migraram para o Rio Grande do Sul, fixando-se ao sul de Bagé entre 1949 e 1951.

A herança cultural dos imigrantes não se restringe a enxaimel, chope e Oktoberfest
Os primeiros colonos chegaram pobres e trabalharam com muita garra na agricultura, seus espíritos empreendedores resultaram na criação de várias indústrias. “Mas a grande contribuição que eu vejo que os alemães têm dado ao Rio Grande do Sul é que eles conseguiram desenvolver muito marcadamente determinadas regiões. Eles conseguiram trazer daqui o seu espírito de organização, a sua racionalidade, a sua vontade de querer realmente construir, crescer e progredir”, comentou o ex-prefeito de São Leopoldo Waldir Schmitd.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os alemães no Brasil tiveram um importante papel no processo de diversificação da agricultura, na urbanização e industrialização, tendo influenciado, em grande parte, a arquitetura das cidades e a paisagem físico-social brasileira.
Um exemplo são as casas no chamado estilo enxaimel, uma das principais atrações turísticas em qualquer região de colonização alemã. Quando os primeiros alemães chegaram ao Brasil, essa arquitetura já estava fora de moda na Alemanha, mas teve continuidade, com adaptações, principalmente no Vale dos Sinos no Rio Grande do Sul e no Vale do Itajaí em Santa Catarina. Parte do enxaimel de hoje, porém, é só fachada para atrair turistas e pouco tem em comum com as construções robustas e baratas dos pioneiros.
O imigrante alemão trouxe também, a religião protestante, e contribuiu para o desenvolvimento urbano e da agricultura familiar, bem como introduziu no país o cultivo do trigo e a criação de suínos. “Na colonização alemã, está a origem da formação de um campesinato típico, marcado fortemente com traços da cultura camponesa da Europa Central”, constata o IBGE.

Os primeiros colonos eram também artesãos e ajudaram a lançar as bases das indústrias têxtil, metalúrgica e calçadista em Novo Hamburgo. Com suas escolas comunitárias (Gemeindeschulen), os alemães também deram um forte impulso à educação. Entre as principais heranças na educação, está a Unisinos, fundadas por padres jesuítas alemães, que trabalhavam nas colônias.

A cultural alemã no Brasil
A vida cultural dos imigrantes também teve um papel importante na formação da cultura brasileira, especialmente no que diz respeito a certos hábitos alimentares, encenações teatrais típicas, corais de igrejas, bandas de música. Um exemplo característico é a Oktoberfest que, a princípio, surgiu como uma forma de manifestação contra a “política de nacionalização” do Estado Novo.
Hoje, ela é uma festa que simboliza a alegria alemã, tendo incorporado, com adaptações e modificações, a gastronomia, a música, as línguas alemãs. Não menos importante para os descendentes é o Kerb, que está na origem de muitas festas de igreja nas regiões de colonização alemã.

Também as comemorações de Natal e da Semana Santa foram influenciadas pela figura do São Nicolau (Papai Noel), a árvore e doces de Natal e o coelho de Páscoa trazidos da Alemanha.
É nas festas populares que se vê a maior concentração de ingredientes alemães no cardápio sulista, como o assado de porco, a salsicha bock ou iguarias como a cuca, tudo regado a chope, para comemorar 184 anos de Rio Grande do Sul.
